Brasil INQUÉRITO NO STF
Diretor do BC diz à PF que Master tinha só R$ 4 milhões em caixa
Declaração foi prestada em inquérito do STF que apura fraudes bilionárias no Banco Master
30/01/2026 14h54
Por: Redação 24h News MS
Diretor do Banco Central prestou depoimento à Polícia Federal em inquérito que apura fraudes no Banco Master (Foto - Lula Marques Agência Brasil)

O diretor de Fiscalização do Banco Central do Brasil, Ailton de Aquino Santos, afirmou à Polícia Federal que o Banco Master possuía apenas 4 milhões de reais em caixa antes da liquidação decretada em novembro do ano passado pela autoridade monetária.

A declaração foi prestada no dia 30 de dezembro de 2025, durante oitiva realizada no âmbito do inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal, que investiga fraudes envolvendo a instituição financeira. Representantes da Procuradoria Geral da República também acompanharam o depoimento.

Segundo o diretor do Banco Central, o Master era classificado como um banco de médio porte e possuía cerca de 80 bilhões de reais em títulos de crédito. Em instituições desse porte, o padrão é manter entre 3 bilhões e 4 bilhões de reais em títulos livres para negociação, o que indica a liquidez da operação. No entanto, de acordo com Aquino, o Master contava com apenas 4 milhões de reais disponíveis em caixa antes da liquidação.

O diretor ressaltou que a situação evidenciava uma grave crise de liquidez. Ele explicou que o acompanhamento do Banco Central se dava justamente pela dificuldade recorrente da instituição em honrar compromissos financeiros diários, colocando em risco o funcionamento regular do banco.

Durante o depoimento, Aquino também mencionou problemas semelhantes envolvendo o Will Bank, outra instituição ligada ao Banco Master e que igualmente acabou sendo liquidada. Segundo ele, havia constante dificuldade no fechamento do caixa e no pagamento de obrigações básicas.

As investigações sobre as fraudes no Banco Master estão sob relatoria do ministro Dias Toffoli. Em dezembro do ano passado, o magistrado determinou que o inquérito permanecesse no STF, e não fosse remetido à Justiça Federal em Brasília, após a citação de um deputado federal nas apurações, o que atrai o foro por prerrogativa de função.

Em novembro de 2025, o banqueiro Daniel Vorcaro e outros investigados foram alvos da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. A ação apura a concessão de créditos falsos pelo Banco Master e a tentativa de venda da instituição ao Banco Regional de Brasília, banco público vinculado ao governo do Distrito Federal.

De acordo com os investigadores, o montante das fraudes apuradas pode chegar a 17 bilhões de reais.