A gestão da prefeita Adriane Lopes mergulhou Campo Grande em um cenário de "crise dupla", nesta terça-feira, resultando em uma manhã caótica na Câmara Municipal. A urgência em evitar uma greve geral, na Educação Infantil, acabou por atropelar a pauta fiscal, prejudicando, diretamente, o contribuinte que aguarda uma solução para a polêmica Taxa do Lixo, a qual provocou um verdadeiro "tarifaço" no IPTU de 2026.
Os vereadores decidiram, em uma manobra de emergência, retirar da ordem do dia a votação do veto da prefeita ao projeto que barrava o aumento da referida taxa. A medida, embora dê fôlego político imediato ao Executivo, é recebida como um balde de água fria pela população, já que o objetivo da sessão era justamente derrubar o veto e suspender o decreto municipal nº 16.402/2025. Este decreto reclassificou imóveis e inflou a cobrança de forma severa, registrando, em casos específicos, aumentos que superam a marca dos 400%.
Ao adiar essa decisão crucial para focar no "incêndio" da Educação, a Câmara expõe a gravidade do momento institucional, demonstrando que não há espaço, na agenda política atual, para resolver dois problemas estruturais criados pela gestão ao mesmo tempo. Para o campo-grandense, a retirada de pauta significa que a cobrança majorada continua valendo, frustrando a expectativa de quem esperava retomar os critérios de cálculo de 2018, anulando a "canetada" da prefeita que pesou no bolso no início deste ano.
A pauta foi preterida porque a situação nas EMEIs atingiu o limite crítico, com indicativo de greve já aprovado para o dia 9 de fevereiro, data prevista para o início das aulas. Vereadores de oposição, e até mesmo da base aliada, priorizaram o debate para evitar que as crianças fiquem sem assistência escolar, enquanto os servidores cobram melhores condições salariais. Conforme anunciado pelo vereador Papy, a expectativa é que a polêmica taxa do lixo seja analisada novamente apenas no dia 10, mantendo a cidade sob forte tensão política.