Mato Grosso do Sul tem avançado de forma consistente na recuperação de pastagens degradadas e na consolidação de uma agropecuária mais produtiva, sustentável e alinhada às exigências dos mercados nacional e internacional. Dados do Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas indicam que, em 2023, o Estado possuía cerca de 4,7 milhões de hectares de áreas passíveis de recuperação.
Esse cenário é reflexo da histórica expansão da pecuária extensiva, marcada por baixa taxa de lotação animal, manejo inadequado e ausência de reposição de nutrientes ao solo, situação agravada pela predominância de solos arenosos e por longos períodos de estiagem.
Entretanto, levantamento recente da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), com base em dados do MapBiomas, aponta uma redução expressiva das áreas de pastagens com baixo vigor. Em 2010, eram cerca de 6,2 milhões de hectares, número que caiu para 2,9 milhões em 2024, representando uma redução aproximada de 52% no Estado.
A melhoria dos indicadores está associada à adoção de novas tecnologias, ao fortalecimento das práticas de conservação do solo e à ampliação de sistemas produtivos sustentáveis, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), que já ultrapassa 3,6 milhões de hectares implantados em Mato Grosso do Sul.
Parte das áreas remanescentes está localizada no Pantanal, em campos nativos inseridos em zonas de uso restrito, protegidas pela legislação ambiental. Além disso, análises por imagens de satélite sofrem influência da sazonalidade, especialmente em períodos de seca, o que pode interferir na leitura do vigor das pastagens.
Segundo o secretário da Semadesc, Jaime Verruck, o avanço ocorre a partir de políticas públicas estruturantes e da integração entre governo, produtores e setor produtivo. Ele destaca que a recuperação de pastagens é estratégica para elevar a produtividade, reduzir a abertura de novas áreas e fortalecer uma agropecuária de baixa emissão de carbono.
Um dos principais instrumentos de apoio é o Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO). Em 2025, mais de R$ 500 milhões foram destinados a projetos de correção do solo e recuperação de pastagens. Somente na reforma de pastagens, os investimentos superaram R$ 180 milhões, além de quase R$ 400 milhões aplicados em projetos de correção do solo.
O Estado também atua por meio de programas como o Prosolo, que promove manejo e conservação do solo e da água, o Precoce MS, que incentiva a produção de carne bovina de qualidade com práticas sustentáveis, o MS Irriga, voltado ao uso racional da água, e o Plano Estadual ABC+, que estimula tecnologias de baixa emissão de carbono.
De acordo com Verruck, Mato Grosso do Sul se consolidou como referência nacional em sistemas de ILPF, demonstrando que é possível produzir mais, com eficiência, sustentabilidade e segurança ambiental.