A Federação Única dos Petroleiros (FUP) afirmou que o reajuste do diesel anunciado pela Petrobras evidencia limitações estruturais no mercado de abastecimento de combustíveis no Brasil.
REAJUSTE DO DIESEL
Nesta sexta-feira (13/03), a Petrobras anunciou aumento de R$ 0,38 por litro no preço do diesel vendido às distribuidoras.
Com o reajuste, o preço médio do diesel A nas refinarias passará para R$ 3,65 por litro. Já a participação da Petrobras no preço final do diesel B, vendido nos postos após a mistura obrigatória com biocombustíveis, será em média de R$ 3,10.
O diesel A é comercializado nas refinarias antes da mistura com biocombustíveis, enquanto o diesel B corresponde ao combustível que chega ao consumidor final nos postos.
CRÍTICAS AO MERCADO
Em nota, a Federação Única dos Petroleiros afirmou que o reajuste revela fragilidades na estrutura de abastecimento do país.
Segundo a entidade, a venda de refinarias e a privatização da BR Distribuidora, ocorrida em 2019, são exemplos das mudanças que reduziram a capacidade de controle do mercado nacional de combustíveis.
A FUP defende que a Petrobras amplie o parque de refino no país e fortaleça sua presença em toda a cadeia do setor, incluindo distribuição e comercialização.
“Uma Petrobras integrada amplia a segurança do abastecimento, reduz a vulnerabilidade do país às oscilações externas e contribui para maior estabilidade na formação dos preços dos combustíveis no mercado doméstico”, afirmou a entidade.
PETRÓLEO EM ALTA
A Petrobras explicou que o reajuste foi influenciado pelo aumento do preço do petróleo no mercado internacional, pressionado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio.
A ofensiva militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã completou duas semanas nesta sexta-feira (13/03), aumentando o risco de interrupção na oferta global de petróleo.
Uma das ameaças mencionadas é o possível bloqueio do Estreito de Ormuz, rota marítima estratégica entre os golfos Pérsico e de Omã, por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás.
COTAÇÃO INTERNACIONAL
Com a instabilidade no mercado global, o barril do petróleo Brent, referência internacional, passou a ser negociado próximo de US$ 100 nesta sexta-feira.
Há cerca de duas semanas, o preço estava próximo de US$ 70, o que representa alta aproximada de 40% no período.
Autoridades iranianas chegaram a alertar para a possibilidade de o barril de petróleo atingir US$ 200 caso o conflito se intensifique.