Brasil COMPLIANCE ZERO
PF aponta “mesada” de até R$ 500 mil e viagens pagas a Ciro Nogueira em investigação
Senador é alvo da 5ª fase da Operação Compliance Zero e STF impõe restrições a investigados ligados ao caso
07/05/2026 15h24
Por: Redação 24h News MS
Polícia Federal aponta supostos pagamentos mensais e benefícios recebidos por Ciro Nogueira em investigação da Operação Compliance Zero (Foto: divulgação / Agência Brasil)

A Polícia Federal afirma ter identificado indícios de que o senador Ciro Nogueira recebia pagamentos mensais que variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. As informações constam na investigação da 5ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (07/05).

Segundo a representação apresentada pela PF ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, o senador também teria recebido benefícios como viagens internacionais, hospedagens, despesas em restaurantes, uso de voos privados e imóveis de alto padrão ligados ao banqueiro.

Conforme as investigações, em troca das vantagens, Ciro Nogueira teria apresentado projetos de interesse do Banco Master no Congresso Nacional. Entre eles está a chamada “Emenda Master”, apresentada em agosto de 2024 durante tramitação da PEC nº 65.

O texto ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), elevando o limite de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante.

A PF aponta ainda que assessores do Banco Master teriam elaborado o texto da emenda e entregue diretamente na residência do senador para apresentação ao Congresso.

De acordo com os investigadores, Daniel Vorcaro teria afirmado a interlocutores que a proposta “saiu exatamente como mandei”, situação que, segundo relatos obtidos pela PF, poderia ampliar significativamente os negócios da instituição financeira.

As diligências também apontam que o senador teria adquirido, por cerca de R$ 1 milhão, participação societária avaliada em aproximadamente R$ 13 milhões na empresa Green Investimentos S.A.

Segundo a investigação, a participação foi adquirida formalmente pela empresa CNLF Empreendimentos Imobiliários, administrada por Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão de Ciro Nogueira.

Na decisão, André Mendonça afirmou que existem “diversos elementos de prova”, incluindo comprovantes bancários, registros de viagens e mensagens eletrônicas trocadas entre investigados.

O ministro determinou que Ciro Nogueira não mantenha contato com investigados ou testemunhas ligadas ao inquérito.

Além disso, o STF decretou prisão temporária de Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, apontado como operador financeiro da negociação envolvendo a Green Investimentos.

Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima também foi proibido de deixar o país, terá de usar tornozeleira eletrônica e não poderá manter contato com os demais investigados.

Em nota, a defesa do senador repudiou “qualquer ilação de ilicitude” envolvendo sua atuação parlamentar e afirmou que irá colaborar com a Justiça para esclarecer os fatos.

Os advogados também classificaram as medidas investigativas como “graves e invasivas”, alegando que parte da investigação se baseia em troca de mensagens entre terceiros.