O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitiu ter mantido contato com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e confirmado cobranças relacionadas ao pagamento de parcelas de um patrocínio milionário para produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O caso veio à tona após reportagem publicada pelo portal The Intercept Brasil na quarta-feira (13/05), que divulgou áudios, mensagens e documentos envolvendo o senador e o empresário, atualmente preso pela Polícia Federal em investigação sobre supostas fraudes financeiras.
Em nota oficial, Flávio Bolsonaro confirmou que buscava um patrocínio privado de R$ 134 milhões para financiar o longa-metragem sobre a trajetória política do pai, mas negou qualquer crime ou vantagem indevida.
“Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet”, afirmou o senador na manifestação divulgada após a repercussão da reportagem.
Segundo Flávio, ele conheceu Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, período em que, conforme alegou, ainda não existiam acusações públicas contra o banqueiro.
O parlamentar também afirmou que voltou a procurar Vorcaro após atrasos no pagamento das parcelas previstas em contrato para a produção do filme.
Um dos áudios divulgados pelo Intercept mostra Flávio cobrando o envio dos recursos para evitar problemas financeiros no andamento do projeto audiovisual.
“Está em um momento muito decisivo aqui do filme e, como tem muita parcela para trás, está todo mundo tenso”, disse o senador em trecho da gravação revelada pela reportagem.
Ainda conforme o material divulgado, parte dos recursos teria sido transferida entre fevereiro e maio de 2025, por meio de operações internacionais envolvendo empresas ligadas ao banqueiro e um fundo nos Estados Unidos administrado por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
Na nota, Flávio Bolsonaro também negou ter intermediado negócios com o governo ou recebido vantagens pessoais em troca do apoio financeiro.
Após a divulgação do caso, parlamentares de partidos da oposição ao bolsonarismo anunciaram pedidos de investigação junto à Polícia Federal, Receita Federal e até a criação de uma CPI para apurar a relação entre o senador e o banqueiro.
Atualmente, Daniel Vorcaro segue preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília e negocia um possível acordo de delação premiada.