Negativos fotográficos em vidro preservados pela Fundação Biblioteca Nacional retornaram ao acervo do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, em uma ação considerada simbólica para a recuperação da memória histórica e científica da instituição atingida pelo incêndio de 2018.
Os materiais haviam sido utilizados pelo antropólogo Edgard Roquette-Pinto em uma conferência realizada na Biblioteca Nacional em 1913 e permaneceram preservados por mais de um século como material de apoio da instituição.
Ao todo, oito negativos de vidro e uma lanterna slide retratam culturas indígenas, espécies da natureza e elementos ligados à pesquisa científica desenvolvida no início do século passado.
As chapas fotográficas funcionavam como matrizes originais para produção de fotografias positivas em papel e agora passam a integrar novamente o acervo da Seção de Memória e Arquivo (Semear) do Museu Nacional/UFRJ.
Entre os registros recuperados estão imagens intituladas “Desenhos simbólicos dos índios Bakairis”, “Zoolito dos Sambaquis de Santa Catarina”, “Maloca dos índios Curutús do Rio Negro”, “Tartaruga sp.” e “Cabeça do último índio Cambeba”.
Conforme o Museu Nacional, a restituição representa um marco importante para a recomposição do patrimônio histórico perdido no incêndio que destruiu grande parte do acervo em setembro de 2018.
O diretor do Museu Nacional/UFRJ, Ronaldo Fernandes, destacou que a cooperação entre instituições tem sido fundamental para reconstruir a memória científica e cultural do país.
“A incorporação dos negativos em vidro ao acervo do Museu Nacional simboliza a força dessa cooperação e o compromisso compartilhado com a preservação de um patrimônio de enorme relevância histórica, científica e cultural para o Brasil”, afirmou.
A identificação e análise dos materiais foram realizadas pela equipe técnica da Semear, em conjunto com especialistas em conservação, restauração e história.
Segundo o pesquisador Jorge Dias, responsável pela mediação da devolução, os negativos representam fragmentos fundamentais da trajetória científica do Museu Nacional.
O incêndio ocorrido em 2018 destruiu milhares de peças históricas, documentos, coleções científicas e registros acumulados ao longo de mais de dois séculos de existência do Museu Nacional.