A 30ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo enfrenta desafios que colocam em risco a permanência do evento nas ruas da capital paulista. Além da redução de aproximadamente 60% dos patrocínios, o movimento também acompanha a tramitação de um projeto de lei aprovado em primeira votação na Câmara Municipal que pode impactar diretamente a realização da manifestação na Avenida Paulista.
O texto aprovado proíbe a presença de crianças e adolescentes em eventos públicos ou privados que “façam alusão ou fomentem práticas LGBTQIA+”, mesmo quando acompanhados pelos pais ou responsáveis. A proposta também impede ocupação e interdição de vias públicas, determinando que os eventos ocorram apenas em espaços fechados.
Juristas ouvidos pela Agência Brasil consideram a proposta inconstitucional. O advogado Ariel de Castro Alves, membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente da OAB, afirmou que a Constituição Federal não permite discriminação e garante igualdade perante a lei.
Segundo Nelson Matias Pereira, presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP), a proposta representa mais uma tentativa de limitar a manifestação do movimento.
“Desde que existimos, nesses 30 anos, sempre houve a tentativa de nos colocar de novo no armário”, afirmou.
Além da discussão política, os organizadores relatam dificuldades financeiras. De acordo com a associação, a edição deste ano contará com apenas dois patrocinadores, cenário bem diferente de anos anteriores, quando grandes marcas apoiavam o evento.
Apesar das dificuldades, a organização reforça que a Parada será realizada no dia 7 de junho, na Avenida Paulista, com o tema “A rua convoca, a urna confirma”, ampliando o debate sobre democracia, participação política e importância do voto.
A programação da Parada LGBT+ também inclui a Feira Cultural da Diversidade e Empreendedorismo LGBT+, marcada para o dia 4 de junho, no Vale do Anhangabaú, reunindo artistas, escritores, ações de empregabilidade, serviços de saúde e atividades culturais.
Os organizadores destacam que, ao longo de três décadas, a Parada LGBT+ ajudou a impulsionar debates sobre união estável, identidade de gênero, criminalização da LGBTfobia, adoção por casais homoafetivos e direitos civis da população LGBTQIA+.