Entidades ligadas ao jornalismo manifestaram repúdio à decisão do Juizado Especial Criminal do Foro da Barra Funda, em São Paulo, que determinou a prisão em regime aberto do jornalista Luan Araújo, conhecido por ter sido perseguido com uma arma pela então deputada federal Carla Zambelli durante o período eleitoral de 2022.
A decisão foi proferida pelo juiz José Fernando Steinberg e ocorreu após o jornalista não cumprir o pagamento de uma prestação pecuniária de R$ 2.216,30, estabelecida em condenação por difamação. Segundo o magistrado, Araújo foi devidamente intimado, mas não efetuou o pagamento determinado pela Justiça.
O processo teve origem em um texto publicado pelo jornalista, no qual ele fez críticas à ex-parlamentar. Em razão da publicação, a Justiça entendeu que houve prática de difamação.
REPÚDIO
Em nota conjunta, a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial de São Paulo (Cojira-SP), vinculada ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, e a Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Racial da Fenaj (Conajira/Fenaj) criticaram a determinação judicial.
As entidades afirmaram que a prisão motivada pelo não pagamento da indenização gera preocupação e defenderam a liberdade de expressão e o livre exercício do jornalismo.
DESEMPREGADO
Segundo informações divulgadas pelas entidades, Luan Araújo está desempregado e enfrenta dificuldades financeiras. Em manifestação pública, ele afirmou que está buscando recolocação profissional e lamentou a situação enfrentada após a condenação.
Nas redes sociais, o jornalista classificou a decisão como injusta e relatou problemas pessoais, dificuldades econômicas e falta de oportunidades de trabalho.
CASO GANHOU REPERCUSSÃO NACIONAL
O episódio que tornou Luan Araújo conhecido nacionalmente ocorreu em 29 de outubro de 2022, véspera do segundo turno das eleições presidenciais.
Na ocasião, vídeos registraram Carla Zambelli perseguindo o jornalista pelas ruas de São Paulo com uma arma em punho, após uma discussão. As imagens tiveram ampla repercussão nacional.
Em agosto de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou a ex-deputada pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo, fixando pena superior a cinco anos de prisão.
Atualmente, Zambelli permanece na Itália. O pedido de extradição apresentado pelo Brasil chegou a ser aceito em instâncias iniciais da Justiça italiana, porém acabou sendo revertido posteriormente pela Corte de Apelação de Roma.