A estreia da África do Sul na Copa do Mundo de 2026, nesta quinta-feira (11), diante do México, volta a chamar atenção para uma curiosidade que aproxima os dois países: assim como o Brasil, a seleção sul-africana entra em campo vestindo as tradicionais cores verde e amarelo. No entanto, as semelhanças entre as duas nações vão muito além do futebol.
Brasil e África do Sul compartilham características socioeconômicas, desafios históricos e posições convergentes no cenário internacional. Ambos são referências em seus continentes, possuem economias diversificadas e defendem o fortalecimento do multilateralismo, da soberania nacional e da busca por soluções pacíficas para conflitos internacionais.
No esporte, o ex-técnico Joel Santana, que comandou a seleção sul-africana entre 2008 e 2009, destacou a evolução dos "Bafana Bafana" e acredita em uma campanha positiva da equipe no Mundial.
"Depois que nós, brasileiros, fomos lá, o nível do futebol deles tem subido gradativamente. Vou apostar neles até o final", afirmou em entrevista à Agência Brasil.
PARCERIA E COOPERAÇÃO
As relações entre os dois países ganharam força nos últimos anos. Em março deste ano, durante visita oficial ao Brasil, o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa defendeu a ampliação da cooperação econômica com os brasileiros.
"Somos os dois países mais industrializados em nossos continentes, e o comércio entre nós precisa ser muito maior", declarou.
Atualmente, o intercâmbio comercial gira em torno de US$ 2,3 bilhões anuais. Entre os principais produtos exportados pelo Brasil estão carnes de aves, açúcar e veículos, enquanto o país importa prata, platina e outros minerais sul-africanos.
Além da área econômica, Brasil e África do Sul mantêm parcerias em turismo, agropecuária, saúde pública e combate ao HIV/AIDS, além de iniciativas voltadas à redução das desigualdades sociais.
AUTORIDADE MORAL E DEFESA DA PAZ
A história sul-africana também aproxima os dois países em pautas humanitárias. Após superar o regime do apartheid, sistema de segregação racial que vigorou por décadas, a África do Sul passou a ocupar papel de destaque na defesa dos direitos humanos.
Segundo especialistas, essa trajetória confere ao país uma autoridade moral importante em debates internacionais relacionados à paz e à proteção da população civil em zonas de conflito.
Nos anos 1970, o Brasil esteve entre as nações que pressionaram pelo fim do apartheid, suspendendo relações diplomáticas e comerciais com Pretória em defesa da igualdade racial.
DESAFIOS E INFLUÊNCIA GLOBAL
Embora tenham avançado em áreas como educação, saúde e desenvolvimento econômico, Brasil e África do Sul ainda enfrentam desafios relacionados à desigualdade social, ao fortalecimento de suas democracias e à busca por crescimento sustentável.
Integrantes do Brics e defensores de uma maior representatividade dos países do Sul Global, os dois países têm atuado conjuntamente em pautas ligadas ao desenvolvimento sustentável, combate ao racismo, defesa da soberania e fortalecimento das instituições multilaterais.
Para especialistas em relações internacionais, a aproximação entre Brasil e África do Sul representa uma estratégia importante para ampliar a influência das economias emergentes nos principais fóruns globais.