A cadeia produtiva da celulose e das florestas plantadas movimentou US$ 3,6 bilhões em exportações nos três primeiros meses de 2026, mantendo sua relevância para a economia brasileira mesmo diante de um cenário global marcado por tensões geopolíticas, desaceleração econômica e aumento de medidas protecionistas.
Os dados constam na mais recente edição do Boletim Mosaico, divulgado pela Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), entidade que acompanha o desempenho dos segmentos de celulose, papel, painéis de madeira e demais produtos oriundos das florestas cultivadas.
Principal produto da indústria florestal brasileira, a celulose registrou produção de 6,7 milhões de toneladas entre janeiro e março deste ano. Apesar da retração de 3,8% em comparação com o mesmo período de 2025, o produto permaneceu na liderança da pauta exportadora do setor.
No trimestre, as exportações de celulose somaram 4,8 milhões de toneladas, gerando receita de US$ 2,6 bilhões com as vendas ao mercado internacional.
O segmento de papel apresentou estabilidade. A produção alcançou 2,8 milhões de toneladas, com leve crescimento de 0,2%. As vendas no mercado interno avançaram 1,8%, enquanto os embarques para o exterior mantiveram desempenho praticamente estável.
Já o setor de painéis de madeira registrou aumento de 7,4% nas vendas domésticas, atingindo 2,1 milhões de metros cúbicos. Por outro lado, as exportações sofreram retração, reflexo das dificuldades enfrentadas pelo comércio internacional.
A China permaneceu como principal destino dos produtos florestais brasileiros no período, respondendo por aproximadamente US$ 1,3 bilhão das exportações. Europa e América do Norte aparecem na sequência entre os principais mercados consumidores.
Para o presidente da Ibá, Paulo Hartung, os resultados demonstram a capacidade de adaptação e a competitividade do setor brasileiro.
"O setor continua mostrando capacidade produtiva, eficiência e compromisso com soluções sustentáveis de base renovável, ampliando sua presença nos mercados internacionais", destacou.
Nos três primeiros meses de 2026, a cadeia de árvores cultivadas respondeu por 4,4% de todas as exportações brasileiras. Quando considerado apenas o agronegócio, a participação chegou a 9,6%.
O saldo comercial do setor atingiu US$ 3,3 bilhões, reforçando sua importância na geração de divisas e no fortalecimento da economia do país.
O desempenho acompanha o crescimento da indústria de base florestal em Mato Grosso do Sul, estado que se transformou em um dos maiores polos mundiais de produção de celulose.
Com a presença de grandes empresas do setor e novos investimentos em andamento, o chamado Vale da Celulose amplia sua participação na produção nacional e fortalece a posição estratégica sul-mato-grossense no mercado global de produtos florestais.