Uma das obras mais aguardadas por moradores e empresários de Três Lagoas continua sem data definida para ser concluída. O contorno rodoviário, projetado para retirar o fluxo de veículos pesados da área urbana e melhorar a logística regional, permanece paralisado e segue cercado por incertezas sobre sua retomada.
Passados vários anos desde o início dos trabalhos, o empreendimento se transformou em alvo frequente de críticas e questionamentos da população. Nas redes sociais e nas conversas do dia a dia, o atraso da obra costuma ser comparado a outros projetos que enfrentaram longos períodos de paralisação, alimentando o sentimento de frustração entre os moradores.
A principal expectativa em torno do contorno rodoviário sempre foi reduzir o tráfego de caminhões que atualmente cruzam a Avenida Ranulpho Marques Leal, uma das principais vias de acesso do município. Enquanto a obra permanece sem conclusão, o fluxo intenso de veículos de carga continua fazendo parte da rotina da cidade.
A situação chama atenção diante do momento de expansão econômica vivido por Três Lagoas. Nos últimos anos, o município consolidou sua posição como um dos principais polos industriais de Mato Grosso do Sul, impulsionado principalmente pelos investimentos ligados à cadeia da celulose e à chegada de novos empreendimentos.
Apesar desse cenário, uma das principais intervenções de infraestrutura previstas para acompanhar esse crescimento segue sem avanços concretos.
Para lideranças locais e representantes de diversos setores, a conclusão do contorno rodoviário é considerada fundamental para preparar a cidade para os próximos ciclos de desenvolvimento econômico e melhorar as condições de mobilidade urbana e logística.
A interrupção das obras ocorreu inicialmente após o período de chuvas registrado no fim de 2024. Na época, a expectativa era de que os trabalhos fossem retomados nos primeiros meses de 2025, o que não ocorreu.
Posteriormente, surgiram divergências relacionadas ao contrato da obra. A empresa responsável pela execução alegou ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) a existência de desequilíbrio econômico-financeiro, apontando diferenças entre o anteprojeto inicial e as condições encontradas durante a execução dos serviços, especialmente em relação ao fornecimento de materiais como areia e brita.
Mesmo com a paralisação, parte significativa do empreendimento já foi executada. Aproximadamente 15 quilômetros receberam pavimentação em concreto.
O projeto completo prevê a implantação de sete obras de arte especiais, sendo seis viadutos e uma ponte sobre o Córrego do Onça.
De acordo com as informações apresentadas, há recursos reservados para a continuidade do empreendimento. Cerca de R$ 33 milhões já estariam disponíveis, além da previsão de novos investimentos federais que podem ultrapassar R$ 200 milhões.
Apesar disso, ainda não existe uma definição oficial sobre a retomada dos trabalhos ou um cronograma atualizado para conclusão da obra.
Enquanto a situação permanece indefinida, cresce a cobrança da população por uma solução que permita a finalização de um projeto considerado estratégico para o futuro de Três Lagoas e para a logística da região leste de Mato Grosso do Sul.