O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, criticou a atuação de grandes grupos econômicos em duas frentes: a resistência à proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6 por 1 e as dificuldades enfrentadas por motoristas para acessar financiamentos do programa Move Brasil.
As declarações foram feitas nesta segunda-feira (30), durante participação no programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Segundo Boulos, bancos têm rejeitado grande parte dos pedidos de financiamento destinados a taxistas e motoristas de aplicativos, mesmo quando os interessados apresentam situação financeira regular.
O programa Move Brasil Aplicativos foi criado pelo governo federal para facilitar a compra de veículos por profissionais do setor.
De acordo com o ministro, uma das principais dificuldades encontradas pelos trabalhadores é a recusa dos financiamentos sem justificativas consideradas razoáveis.
"Estamos tendo três tipos de problemas principais na implementação do Move Brasil. O primeiro problema é que a maioria dos que entram com pedido de crédito têm tido o seu cadastro rejeitado, mesmo tendo o nome limpo", afirmou.
Boulos argumentou que, como a linha de crédito conta com fundo garantidor do governo federal, a aprovação dos financiamentos deveria ocorrer com maior facilidade.
Outro ponto levantado pelo ministro foi a cobrança de entrada por algumas instituições financeiras.
"Começaram a cobrar entrada quando, na verdade, ninguém é obrigado a pagar a entrada", disse.
Além disso, o ministro citou dificuldades técnicas relacionadas à integração entre bancos e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), responsável pela operacionalização da linha de crédito de R$ 30 bilhões destinada ao programa.
Segundo Boulos, o governo federal deverá se reunir com as instituições financeiras para discutir os problemas identificados.
Durante a entrevista, o ministro também criticou a demora na tramitação da proposta que prevê o fim da jornada de trabalho no modelo 6 por 1.
Para Boulos, a pauta possui amplo apoio popular e deveria avançar no Senado Federal.
O ministro afirmou ainda que entidades empresariais têm atuado contra a proposta e contestou argumentos de que a redução da jornada poderia gerar impactos negativos na economia.
Segundo ele, a discussão envolve melhores condições de trabalho e ampliação do tempo de descanso dos trabalhadores brasileiros.