O ex-governador de Mato Grosso do Sul e pré-candidato ao Senado Federal, Reinaldo Azambuja (PL), defendeu mudanças na relação entre a União, os estados e os municípios. Em entrevista ao Ponta Porã Informa, ele criticou os gastos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que o país precisa de um novo pacto federativo para ampliar os investimentos em áreas essenciais.
Azambuja classificou a dívida pública brasileira, superior a R$ 9 trilhões, como uma "agiotagem oficial" e afirmou que o elevado pagamento de juros reduz a capacidade de investimento do país.
Segundo o ex-governador, o governo federal mantém uma estrutura administrativa excessiva, o que, na avaliação dele, compromete a aplicação de recursos em benefício da população.
"Temos um governo que gasta muito com a própria estrutura e pouco com o cidadão. Enquanto os Estados Unidos operam com 22 ministérios e a Argentina com 15, o Brasil mantém 38. É uma conta que não fecha", afirmou.
Durante a entrevista, Azambuja disse que sua experiência à frente do Governo de Mato Grosso do Sul demonstrou a importância de fortalecer os municípios por meio de investimentos diretos.
Ele defendeu um Parlamento comprometido com reformas estruturais, especialmente na área tributária, para ampliar a participação dos estados e municípios na distribuição dos recursos arrecadados.
"Brasília pode e deve contribuir muito mais com os estados e municípios. Precisamos garantir que o imposto pago pelo cidadão retorne em infraestrutura, saúde e educação de qualidade", declarou.
Outro ponto destacado pelo pré-candidato foi o custo suportado por Mato Grosso do Sul com presos envolvidos em crimes transfronteiriços.
Segundo Azambuja, o Estado desembolsa atualmente mais de R$ 18 milhões por mês para manter detentos cuja responsabilidade, segundo ele, deveria ser da União.
Na avaliação do ex-governador, caso o governo federal assumisse esses custos, a economia anual permitiria a construção de aproximadamente 7.800 moradias populares.
"É uma distorção que precisa ser corrigida em Brasília. O recurso de Mato Grosso do Sul deve permanecer no Estado, gerando dignidade e melhores condições de vida para quem mais precisa", concluiu.