Política TESTA DE FERRO
Mensagens indicam que 'laranja' de editora investigada cobrava salário mesmo após empresa receber R$ 818 mil
Relatório da Operação Gutenberg aponta que proprietária formal da Editora Avante dizia estar sem dinheiro, reforçando suspeita de que não administrava a empresa.
19/07/2026 08h01
Por: Redação 24h News MS
Relatório da Operação Gutenberg aponta que a proprietária formal da Editora Avante cobrava o próprio salário mesmo após a empresa receber recursos públicos milionários. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Novas informações da Operação Gutenberg apontam que Rhayane Souza Fanaia, proprietária formal da Editora Avante, afirmava estar sem dinheiro e cobrava o próprio salário, mesmo após a empresa receber centenas de milhares de reais em contratos públicos. Para o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), as mensagens reforçam a suspeita de que ela atuava apenas como testa de ferro no esquema investigado.

De acordo com o relatório do Ministério Público, em 15 de dezembro de 2022, a Editora Avante recebeu R$ 818.958,50 da Prefeitura de Bonito. No mesmo dia, Rhayane enviou uma mensagem a um contato identificado como "Mãe", informando que o pagamento havia sido realizado.

"Pagaram. Agora só distribuir", escreveu.

MENSAGENS

No dia seguinte, 16 de dezembro de 2022, a investigada voltou a trocar mensagens cobrando o repasse de R$ 1.800 que, segundo a investigação, seria destinado a Giovanni Paroschi Jafar.

Durante a conversa, Rhayane afirmou estar sem dinheiro.

"Tô no seu pé porque estou sem nem um real kkkk."

Em seguida, acrescentou:

"Não recebi nem meu salário."

Segundo o Gaeco, o conteúdo das mensagens indica que, embora figurasse oficialmente como proprietária da empresa, Rhayane não exercia o controle sobre os recursos financeiros da Editora Avante.

APENAS 1%

Outra conversa analisada pelos investigadores mostra a suposta divisão do dinheiro recebido da Prefeitura de Bonito.

Conforme o relatório, Rhayane receberia R$ 8.189,59, valor correspondente a exatamente 1% dos R$ 818.958,50 pagos pelo município.

Ainda segundo a investigação, os demais recursos seriam distribuídos entre pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo investigado.

O relatório também apresenta diálogos entre Rhayane e Rossana Paroschi Jafar, apontando orientações para repasses de dinheiro aos filhos de Rossana, Giovanni e Ovília, reforçando a suspeita de que integrantes da família controlavam a movimentação financeira da empresa.

INVESTIGAÇÃO

De acordo com o Ministério Público, a Editora Avante foi criada em 2021 com capital social declarado de R$ 40 mil, mas movimentou aproximadamente R$ 5,2 milhões em contratos firmados, principalmente por meio de dispensas de licitação com prefeituras de Mato Grosso do Sul.

Entre os municípios citados nas investigações estão Bonito, Miranda, Ivinhema e Ladário.

A Operação Gutenberg também identificou que Rhayane realizou 23 saques em espécie que totalizaram R$ 1.066.000, além da distribuição de recursos para mais de 40 pessoas físicas e jurídicas.

Para o Gaeco, o conjunto das provas reunidas até o momento indica que Rhayane Souza Fanaia atuava como proprietária apenas no papel, enquanto o controle financeiro da Editora Avante seria exercido por outros integrantes do grupo investigado.

O caso segue sob investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul.