Imagens de satélite analisadas pela Associated Press mostram que o Exército de Israel vem ampliando uma barreira de terra na Faixa de Gaza, estrutura que já ultrapassa 23 quilômetros de extensão e separa a área controlada pelas forças israelenses do restante do território palestino. A construção ocorre em meio ao impasse nas negociações de cessar-fogo e tem intensificado preocupações sobre uma possível divisão permanente da região.
Segundo a reportagem, a barreira atravessa áreas onde comunidades palestinas foram destruídas durante o conflito e ocupa parte significativa da Faixa de Gaza, território com cerca de 40 quilômetros de comprimento e aproximadamente 2 milhões de habitantes.
Após serem questionadas pela Associated Press, as Forças de Defesa de Israel confirmaram a construção da estrutura na chamada "linha amarela", limite estabelecido durante o acordo de cessar-fogo firmado em outubro com o Hamas. Segundo os militares, a barreira faz parte de uma zona de segurança equipada com recursos tecnológicos e de inteligência para impedir infiltrações e proteger tropas e comunidades israelenses próximas à fronteira.
De acordo com as imagens de satélite, um trecho da barreira no sul de Gaza foi ampliado em mais de 2 quilômetros apenas nas primeiras semanas de julho. Outro segmento, iniciado em fevereiro, já se estende por aproximadamente 17 quilômetros entre Khan Younis e a região próxima à Cidade de Gaza.
Especialistas e moradores palestinos demonstram preocupação de que a estrutura, inicialmente apresentada como temporária durante o acordo de cessar-fogo, possa consolidar uma divisão permanente da Faixa de Gaza caso não haja avanço nas negociações diplomáticas.
Até o momento, nem o Comando Central dos Estados Unidos, responsável por monitorar o cessar-fogo, nem o Board of Peace, órgão criado para atuar na futura supervisão de Gaza, se manifestaram sobre a construção da barreira.
Israel não informou até onde a estrutura será ampliada nem divulgou detalhes sobre sua extensão final.