Brasil AVANÇO CONTRA HIV
Remédio injetável que previne HIV pode entrar no SUS até o fim do ano
Ministério da Saúde encaminhará pedido para incorporar o carbotegravir ao SUS; medicamento é aplicado a cada dois meses.
27/07/2026 15h16
Por: Redação 24h News MS
Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou que o pedido para incorporar o carbotegravir ao SUS será encaminhado à Conitec. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

O Sistema Único de Saúde (SUS) poderá oferecer ainda em 2026 uma nova forma de profilaxia pré-exposição (PrEP) para prevenção do HIV. O Ministério da Saúde informou que encaminhará na próxima semana o pedido de incorporação do carbotegravir à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).

O carbotegravir é um medicamento injetável que impede a replicação do vírus de forma prolongada e pode ser aplicado a cada dois meses.

AVALIAÇÃO

Antes de ser disponibilizado pelo SUS, o medicamento passará por análise da Conitec, que avaliará critérios como eficácia, segurança e custo-benefício da tecnologia.

Embora a comissão emita uma recomendação técnica, a decisão final sobre a incorporação caberá ao Ministério da Saúde.

Segundo o ministro Alexandre Padilha, o governo negocia com a farmacêutica GSK o valor final do medicamento e a quantidade de doses que poderão ser adquiridas. De acordo com ele, a empresa apresentou uma proposta considerada adequada.

OUTRO MEDICAMENTO

O ministro também comentou sobre o lenacapavir, medicamento que oferece proteção contra o HIV por até seis meses.

Segundo Padilha, apesar da eficácia, o preço apresentado pela fabricante foi considerado inviável para aquisição pelo sistema público brasileiro.

O Brasil participou dos estudos clínicos do medicamento, mas ficou fora do acordo internacional que autorizou a produção de versões genéricas para distribuição em 120 países.

PREP ORAL

Atualmente, o SUS já oferece gratuitamente a PrEP na versão oral, composta por comprimidos de uso diário.

Mais de 350 mil pessoas já utilizaram esse tratamento preventivo no país.

Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), realizado com 1,4 mil participantes em seis cidades brasileiras, mostrou que 83% preferiram a versão injetável. Além disso, 94% compareceram às aplicações dentro do prazo previsto, e nenhum participante foi infectado pelo HIV durante o acompanhamento.

Outro estudo divulgado pelas farmacêuticas responsáveis pelo desenvolvimento do carbotegravir apontou taxa anual de infecção de apenas 0,1% entre os usuários do medicamento.