Política PRESSÃO INDUSTRIAL
Paulo Corrêa defende debate sobre impactos ambientais como prioridade na Assembleia de MS
Deputado afirma que processos de licenciamento podem ganhar agilidade, mas fiscalização dos efeitos ambientais deve ser ampliada.
10/08/2026 15h50
Por: Redação 24h News MS
Deputado estadual Paulo Corrêa defende que a Assembleia Legislativa amplie o debate sobre impactos ambientais durante a discussão da modernização do licenciamento em Mato Grosso do Sul. (Foto: Osmar Veiga)

O debate sobre os impactos ambientais provocados por novos empreendimentos deve ganhar espaço nas discussões da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, segundo o deputado estadual Paulo Corrêa (PL), 1º secretário da Casa de Leis. O parlamentar defende que a desburocratização do licenciamento ambiental avance, mas seja acompanhada de maior atenção aos efeitos das atividades industriais sobre o meio ambiente.

Durante entrevista ao Campo Grande News, nesta segunda-feira (10/08), Corrêa afirmou que a discussão sobre a modernização das licenças já está sendo conduzida pelo Governo do Estado.

LICENCIAMENTO PODE GANHAR AGILIDADE

Para o deputado, a simplificação dos procedimentos é importante para facilitar a instalação de empresas e atrair novos investimentos para Mato Grosso do Sul.

Corrêa, porém, avalia que a discussão precisa considerar também o que acontece depois da autorização para funcionamento dos empreendimentos.

Segundo ele, questões como destinação de resíduos, utilização da água e qualidade dos efluentes precisam ser acompanhadas de maneira mais rigorosa.

“Vamos discutir onde que vai jogar o dejeto. Vai pegar água de tal lugar, a qualidade da água é potável? Usou a água dentro do negócio, como voltou para o meio ambiente. Se não voltou potável, não tá certo. Então, você tem que tratar direito”, afirmou.

DEPUTADO CITA RESÍDUOS INDUSTRIAIS

Corrêa também defendeu que o Poder Público participe da discussão sobre soluções para os resíduos gerados pelas empresas.

Como exemplo, mencionou empreendimentos ligados à produção de etanol de milho e destacou que o objetivo não seria criar obstáculos para as empresas, mas acompanhar os impactos provocados pelas atividades.

O parlamentar também citou a situação envolvendo o frigorífico da JBS, no Jardim Carioca, em Campo Grande, que já foi alvo de disputa judicial relacionada a reclamações sobre mau cheiro.

Na avaliação do deputado, tecnologias disponíveis atualmente permitem transformar determinados resíduos em novas matérias-primas, reduzindo impactos ambientais.

GOVERNO PREPARA MUDANÇA NAS LICENÇAS

O Governo de Mato Grosso do Sul já anunciou que pretende encaminhar à Assembleia Legislativa um projeto de lei para modernizar a legislação estadual de licenciamento ambiental, que está em vigor desde 2001.

A proposta busca adequar as regras estaduais às mudanças estabelecidas pela legislação nacional de licenciamento ambiental aprovada em 2025.

Entre os objetivos está a redução da burocracia para emissão das licenças, acompanhada de um modelo de monitoramento contínuo dos empreendimentos depois da autorização.

O texto ainda não havia sido protocolado na Assembleia até esta segunda-feira (10/08), mas a previsão é de que seja encaminhado durante o segundo semestre.

A proposta foi elaborada pela equipe técnica do Estado e também considera o processo de modernização tecnológica implantado no Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) nos últimos 3 anos.

EQUILÍBRIO ENTRE INVESTIMENTO E FISCALIZAÇÃO

A discussão deverá envolver, de um lado, a necessidade de tornar os processos mais rápidos para empresas interessadas em investir no Estado e, de outro, mecanismos capazes de acompanhar os impactos provocados pelos empreendimentos.

Para Paulo Corrêa, a modernização do licenciamento deve permitir mais agilidade sem reduzir a atenção sobre a qualidade ambiental, especialmente em relação ao uso da água, tratamento de resíduos e destinação de efluentes.