Brasil DEFESA DE FLÁVIO
Flávio diz ao TSE que falta de autorização não torna vídeo de Bolsonaro um deepfake
Defesa afirma que uso de inteligência artificial sem consentimento não caracteriza irregularidade, desde que o conteúdo não tenha objetivo de enganar o eleitor.
11/08/2026 08h38
Por: Redação 24h News MS
Defesa de Flávio Bolsonaro questiona no TSE caracterização como deepfake de vídeo de Jair Bolsonaro produzido com inteligência artificial. (Foto: Partido Liberal)

A defesa de Flávio Bolsonaro (PL) afirmou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que a falta de autorização de uma pessoa para o uso de sua imagem em conteúdos produzidos com inteligência artificial não é suficiente para caracterizar um deepfake. A tese foi apresentada no processo que questiona um vídeo de Jair Bolsonaro criado com IA e exibido durante a convenção do PL.

DEFESA QUESTIONA CARACTERIZAÇÃO

Segundo os advogados, a irregularidade ocorreria quando a inteligência artificial fosse utilizada para enganar o eleitor ou atribuir à pessoa retratada uma declaração ou posição que não corresponde à realidade.

Para sustentar o argumento, a defesa anexou ao processo um parecer do professor de Direito Eleitoral Diogo Rais, ex-juiz do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP).

A manifestação também afirma que o avanço tecnológico tornou inviável impedir completamente o uso de ferramentas de inteligência artificial na comunicação política.

VÍDEO FOI EXIBIDO EM CONVENÇÃO

O processo analisado pelo TSE foi apresentado pelo PT e questiona um vídeo produzido com inteligência artificial que foi exibido durante a convenção do PL, em São Paulo.

Na gravação, uma representação digital de Jair Bolsonaro aparece falando sobre sua situação jurídica e afirmando ser vítima de uma decisão que considera injusta.

O vídeo foi apresentado durante um discurso de Flávio Bolsonaro. O apresentador do evento interrompeu a fala do pré-candidato para exibir o conteúdo produzido com IA.

DEFESA DIZ QUE IA NÃO É IRREGULAR POR SI SÓ

Os advogados argumentam que a simples criação ou alteração da imagem de uma pessoa por meio de inteligência artificial não seria suficiente para caracterizar um deepfake.

Na avaliação apresentada ao tribunal, seria necessário analisar o contexto e verificar se o material possui caráter enganoso e potencial para interferir na disputa eleitoral, favorecendo ou prejudicando uma candidatura.

A defesa também cita exemplos como paródias, sátiras, animações, caricaturas, avatares e outras formas de representação utilizadas historicamente na comunicação política.

PROCESSO AINDA NÃO FOI DECIDIDO

A manifestação foi apresentada na ação que questiona o vídeo de Jair Bolsonaro produzido com inteligência artificial.

Até o momento, o Tribunal Superior Eleitoral ainda não deliberou sobre o caso. A discussão ocorre em meio ao debate sobre o uso de inteligência artificial na propaganda e na comunicação política durante as eleições de 2026.