Tubarões estão sendo usados por pesquisadores dos Estados Unidos como aliados na busca por previsões mais precisas sobre a força dos furacões. Cientistas da Universidade de Delaware instalaram sensores nos animais para coletar informações sobre as condições do oceano e alimentar modelos utilizados na previsão de tempestades.
A ideia é transformar os tubarões em uma espécie de plataforma móvel de monitoramento, aproveitando a capacidade dos animais de percorrer grandes áreas do oceano e mergulhar em diferentes profundidades.
Os equipamentos instalados nos tubarões registram dados como temperatura, profundidade e condutividade elétrica da água, informação relacionada à salinidade.
Esses dados são importantes porque a temperatura da camada superior do oceano influencia diretamente a intensidade dos furacões. Águas mais quentes fornecem energia para o desenvolvimento e o fortalecimento das tempestades.
Entre as espécies consideradas promissoras para o monitoramento estão tubarões-mako, tubarões-azuis, tubarões-martelo e tubarões-brancos juvenis.
Uma das vantagens da estratégia é utilizar animais que já circulam naturalmente por diferentes regiões do oceano.
Os pesquisadores avaliam que os tubarões podem fornecer informações em áreas onde a coleta convencional de dados é mais limitada. Como alguns deles retornam regularmente à superfície, os sensores conseguem transmitir informações por satélite.
Segundo o estudo divulgado no ICES Journal of Marine Science, a utilização dos animais poderia gerar aproximadamente 3 vezes mais dados por apenas 15% do custo de sistemas com robôs submarinos, segundo o Metrópoles.
Os dados coletados pelos tubarões não substituem satélites, boias, aeronaves ou outros equipamentos utilizados atualmente para acompanhar furacões.
A proposta é ampliar a quantidade de informações disponíveis sobre o oceano e melhorar os modelos utilizados pelos cientistas para estimar a intensidade das tempestades.
A pesquisa é conduzida por pesquisadores da Universidade de Delaware, com apoio de instituições ligadas ao monitoramento oceânico e climático dos Estados Unidos.
Caso a tecnologia se mostre eficiente, a expectativa é que os dados possam contribuir principalmente para previsões mais precisas de furacões no Atlântico Norte, ajudando regiões costeiras que ficam no caminho desses sistemas.