O governador Eduardo Riedel (PP) avaliou, na manhã de sexta-feira (14/08), que a tarifa adicional aplicada pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros teve impacto moderado para Mato Grosso do Sul, mas demonstrou maior preocupação com as medidas anunciadas pela China e com a suspensão de compras pela União Europeia.
Durante participação no “Café & Política”, realizado em uma padaria no bairro Chácara Cachoeira, em Campo Grande, Riedel afirmou que a discussão sobre a sobretaxa norte-americana acabou sendo politizada e defendeu uma atuação diplomática para buscar soluções comerciais.
Segundo o governador, o Brasil precisa negociar com diferentes mercados diante do cenário de disputa comercial entre Estados Unidos e China.
“Tem que entrar com diplomacia com foco na negociação comercial. Estamos em meio a um tiroteio entre ocidente e oriente com China de um lado e Estados Unidos do outro. Temos de negociar com todos”, afirmou.
Riedel também citou a possibilidade de uma tarifa de 55% sobre a carne bovina brasileira anunciada pela China como medida de proteção ao mercado interno.
O governador destacou a importância do país asiático para o setor, afirmando que cerca de 45% da carne bovina brasileira exportada tem a China como destino.
“Vai ser um problema”, avaliou.
Para Riedel, o cenário exige que Mato Grosso do Sul e o Brasil demonstrem capacidade de produção e de atendimento aos mercados internacionais.
Outro ponto citado pelo governador foi a decisão da União Europeia de suspender, a partir de 3 de setembro, as compras de carne bovina brasileira.
A medida está relacionada a exigências sanitárias do bloco europeu sobre o controle do uso de antimicrobianos e os mecanismos de verificação adotados no Brasil.
O cenário amplia a preocupação do setor produtivo com a manutenção dos principais mercados consumidores da carne brasileira.
Ao comentar o potencial econômico de Mato Grosso do Sul diante do cenário internacional, Riedel utilizou uma comparação com os chamados “Tigres Asiáticos”.
O governador afirmou que o Estado poderia ser visto como um “Puma Tropical”, em referência à capacidade de crescimento e expansão econômica de Mato Grosso do Sul.
A avaliação ocorre em um momento de atenção para o comércio exterior, diante das novas tarifas e restrições que podem afetar produtos brasileiros em importantes mercados internacionais.