O secretário do Exército dos Estados Unidos, Dan Driscoll, apresentou sua renúncia à Casa Branca após meses de tensão e divergências com o secretário de Defesa, Pete Hegseth. Próximo do vice-presidente JD Vance, Driscoll se torna mais um integrante de alto escalão a deixar o Pentágono sob o comando de Hegseth.
A saída ocorre em um momento de forte pressão sobre as Forças Armadas americanas, enquanto os Estados Unidos permanecem envolvidos na guerra com o Irã e mantêm milhares de soldados mobilizados no Oriente Médio.
Driscoll também ganhou projeção internacional ao ser escolhido pelo presidente Donald Trump para participar de negociações com Moscou e Kiev sobre o fim da guerra na Ucrânia.
Segundo informações divulgadas pela imprensa norte-americana, o secretário apresentou à administração preocupações relacionadas aos esforços de transformação e à prontidão do Exército. Na avaliação dele, essas iniciativas estariam sendo prejudicadas por decisões tomadas por Hegseth, incluindo a demissão de generais.
O Exército não comentou a saída. A Casa Branca, por outro lado, elogiou o trabalho desenvolvido por Driscoll.
Em comunicado, a porta-voz Anna Kelly afirmou que o secretário foi “altamente eficaz” no avanço da agenda do presidente Trump dentro do Departamento do Exército e destacou sua atuação na prontidão militar e nas negociações entre Rússia e Ucrânia.
O desgaste entre Driscoll e Hegseth vinha aumentando nos últimos meses. Segundo uma autoridade norte-americana citada pela imprensa internacional, o chefe do Pentágono considerava Driscoll uma ameaça dentro da burocracia do Departamento de Defesa e já pretendia afastá-lo.
A relação teria se deteriorado ainda mais após mudanças promovidas por Hegseth no comando das Forças Armadas. Em abril, o secretário de Defesa demitiu o chefe do Estado-Maior do Exército, general Randy George.
A decisão teria surpreendido Driscoll. No mesmo mês, ele relatou a parlamentares que sua família foi até a casa de George após a demissão para prestar apoio ao general.
Em junho, Hegseth também afastou o comandante das forças do Exército dos Estados Unidos na Europa e bloqueou a promoção de oficiais de alta patente.
Confirmado por Trump para o cargo de secretário do Exército em fevereiro de 2025, Driscoll defendia uma transformação da Força, com maior agilidade na aquisição de equipamentos e armamentos.
Ele também fazia críticas às grandes empresas do setor de defesa e defendia mudanças na relação do Exército com os principais fabricantes de armamentos.
Como secretário do Exército, Driscoll era responsável por questões administrativas relacionadas, entre outras áreas, ao treinamento e ao equipamento dos soldados americanos.