Representantes dos governos do Brasil e dos Estados Unidos retomaram nesta segunda-feira (31/08) as negociações comerciais para tentar chegar a um acordo sobre as tarifas impostas pelos norte-americanos a produtos brasileiros. A reunião ocorreu após uma conversa direta entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump.
Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, Trump orientou a equipe norte-americana a trabalhar pela construção de um acordo com o Brasil.
“A reunião só foi possível com a conversa direta do presidente Lula com o presidente Trump. Nós deixamos que o propósito do Brasil é que trabalhemos para que se tenha um acordo, o mais abrangente possível, que afaste essas tarifas indevidas. E, por outro lado, disseram que a recomendação do presidente Trump é para que trabalhemos para um acordo”, afirmou.
Neste ano, os Estados Unidos impuseram duas tarifas adicionais sobre produtos brasileiros, de 25% e 12,5%. Dependendo da mercadoria, as duas cobranças podem incidir simultaneamente, chegando a 37,5%.
A tarifa adicional de 25% passou a atingir, em julho, produtos como máquinas, móveis, etanol, açúcar e calçados. Café, carne bovina e aeronaves ficaram fora dessa cobrança.
O governo norte-americano justificou as medidas alegando práticas comerciais consideradas desleais. Entre os temas levantados pelos Estados Unidos estão comércio digital, acesso ao mercado de etanol, propriedade intelectual, desmatamento e o Pix.
O sistema brasileiro de pagamentos instantâneos entrou nas discussões desta segunda-feira, mas o governo brasileiro descartou qualquer possibilidade de negociação envolvendo o Pix.
“O Pix é um patrimônio do Brasil. Mais de 80% dos brasileiros usam Pix. Não há a possibilidade de negociarmos o Pix, isso foi ressaltado”, declarou Márcio Elias Rosa.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também participou da reunião.
O encontro marcou a primeira rodada técnica formal depois da conversa entre Lula e Trump, que reabriu o canal de diálogo sobre as tarifas comerciais.
Segundo Márcio Elias Rosa, novas reuniões técnicas serão realizadas para estabelecer as bases de um eventual acordo. O ministro demonstrou otimismo com o avanço das negociações e afirmou que, após o telefonema entre os presidentes, existe uma indicação clara de Trump favorável à construção de um entendimento.