Brasil SECA EXTREMA
El Niño atingiu 38% das áreas habitadas da Amazônia e acende alerta para 2026
Estudo do MapBiomas mostra queda de chuva, redução da superfície de água e aumento de temperatura durante o fenômeno de 2024
04/09/2026 06h05
Por: Redação 24h News MS
Estudo do MapBiomas aponta que 38% das áreas habitadas da Amazônia tiveram alta exposição aos efeitos do El Niño de 2024. (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

Mais de um terço, ou 38%, das ocupações humanas existentes na Amazônia tiveram alta exposição aos efeitos do El Niño de 2024, segundo estudo divulgado nesta sexta-feira (04/09) pelo MapBiomas. Entre as 5.673 localidades habitadas na região, 2.172 sofreram de forma intensa com o fenômeno.

O El Niño se caracteriza pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical e provoca alterações na circulação atmosférica, tornando os volumes de chuva irregulares. Na Amazônia, o fenômeno favorece seca e aumento da temperatura.

Diante da previsão meteorológica de que o El Niño seja especialmente forte neste ano, os pesquisadores cruzaram dados sobre chuva e superfície de água para avaliar como a Amazônia foi afetada na ocorrência anterior.

Entre setembro e novembro de 2024, a superfície de água na Amazônia ficou 1,9 milhão de hectares abaixo da média histórica registrada entre 1985 e 2025. O volume de chuva também foi inferior, ficando 27% abaixo da média.

A temperatura máxima média durante esses três meses ficou 2,6°C acima do que é historicamente observado no mesmo período.

“Menos chuva e temperaturas mais elevadas aumentam a demanda evaporativa na atmosfera, favorecendo a perda de água do solo e o estresse hídrico da vegetação”, aponta Bruno Ferreira, pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e integrante da equipe da Amazônia do MapBiomas.

POPULAÇÕES

O estudo também analisou os efeitos do fenômeno sobre diferentes tipos de ocupação humana, como núcleos urbanos e rurais, territórios indígenas, quilombolas, assentamentos e outras categorias.

De acordo com os pesquisadores, 93% dos locais analisados, o equivalente a 5.273 localidades, ficam a uma distância de até 5 quilômetros de áreas que sofreram redução da superfície de água.

“A seca também se manifesta na redução dos níveis dos rios, com consequências para o transporte, o acesso à água, a pesca e outras atividades que dependem dos sistemas fluviais”, destaca Bruno Ferreira.

Os dados de cobertura e uso da terra também complementam os fatores de exposição do bioma.

Ao longo dos 41 anos da série histórica analisada, foram perdidos 3,9 milhões de hectares de vegetação nativa, o equivalente a uma redução de 14% da cobertura verde existente anteriormente.

No estudo, além dos dados da Coleção 11 do MapBiomas sobre Cobertura e Uso da Terra, foram utilizadas a Coleção 5 sobre Água e a coleção beta sobre Atmosfera.

Os pesquisadores também trabalharam com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre as áreas habitadas e com informações do Painel El Niño, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).