Uma ação integrada entre forças policiais de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo resultou, na noite de sexta-feira (04/09), na prisão de N.S.S., vulgo “Soldado”, integrante da facção criminosa Comando Vermelho (CV), em Santa Fé do Sul (SP). Ele é o suspeito do ataque a tiros que matou um jovem e deixou outras quatro pessoas baleadas em Três Lagoas. Na ação, foram apreendidos uma pistola calibre .380, 20 munições intactas, dois celulares, peças de roupas e um veículo Gol.
A captura foi realizada pela Força Tática da PMESP, de Santa Fé do Sul, após troca de informações entre policiais militares da PMMT e PMMS, com apoio de investigadores da Polícia Civil do MS, que já apuravam crimes atribuídos ao suspeito em diferentes cidades.
As informações indicavam que o suspeito estava escondido no município paulista e utilizava um veículo Gol prata, identificado por sistemas de monitoramento circulando pela região. Ele também é investigado por envolvimento em homicídios e tentativas de homicídio ocorridos em Cáceres (MT), Três Lagoas, Paranaíba e Aparecida do Taboado (MS).
Com os dados levantados, a Força Tática intensificou as diligências e identificou a residência onde ele estava. O homem foi localizado nos fundos do imóvel e preso pelos militares.
No quintal, os policiais encontraram o carro e, dentro de um saco de lixo, uma sacola contendo uma pistola calibre .380, carregador municiado e munições. Também foram apreendidas peças de roupas que, conforme as investigações da Polícia Civil, teriam sido utilizadas em crimes recentes.
ATAQUE EM TRÊS LAGOAS
O ataque ocorreu na madrugada de terça-feira (01/09), em um bar na região do Novo Oeste. Por volta das 2h56, o atirador chegou a pé, efetuou diversos disparos contra as pessoas que estavam no estabelecimento e fugiu também a pé.
Edilson Dyego de Jesus Lima de 19 anos, morreu no local. Outros quatro jovens, com idades entre 16 e 19 anos, foram atingidos pelos tiros.
Após o homicídio, uma publicação atribuída ao Comando Vermelho chegou à redação do 24h News MS. Na imagem, Edilson aparece fazendo um gesto associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), enquanto sua fotografia foi marcada com um “X” vermelho e referências ao CV, em conteúdo que aparenta atribuir a morte à organização criminosa.
Até o momento, porém, as autoridades não confirmaram se Edilson ou os demais jovens baleados integravam alguma facção criminosa. Também não está esclarecido se havia vínculo efetivo ou apenas proximidade ou simpatia com algum dos grupos.
A autoria e a autenticidade da publicação atribuída ao Comando Vermelho também não foram oficialmente confirmadas.
GUERRA ENTRE COMANDO VERMELHO E PCC
Conforme informações obtidas pela reportagem, o ataque está inserido em um cenário de guerra entre as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) pelo domínio de pontos de venda de drogas e áreas de influência.
A disputa não ocorre somente em Três Lagoas. Crimes e movimentações relacionados a guerra entre as duas facções são acompanhados pelas forças de segurança em diferentes municípios de Mato Grosso do Sul.
Informações indicam que o Comando Vermelho busca ampliar sua atuação em determinadas cidades do MS, e recrutamento pessoas.
Em algumas situações, pessoas recrutadas localmente ficam responsáveis por fornecer suporte, como alugar imóveis, esconder armas, guardar veículos e auxiliar na movimentação dos integrantes da organização.
EMBOSCADAS CONTRA RIVAIS
Outra dinâmica identificada em investigações envolve integrantes ligados ao Comando Vermelho entrando em contato com possíveis alvos faccionados ou considerados próximos ao PCC, por telefone, aplicativos de mensagens ou redes sociais.
Em alguns casos, o contato ocorre sob o pretexto de compra ou negociação de drogas. O encontro marcado pode, na verdade, ser utilizado como emboscada para a prática de homicídios ou tentativas de homicídio.
Há situações em que o executor recrutado na própria cidade sequer conhece pessoalmente a vítima e recebe apenas fotografia, informações e localização do alvo antes da ação.
Casos com características semelhantes já ocorreram em Três Lagoas e em outros municípios de Mato Grosso do Sul.
INTEGRAÇÃO ENTRE AS FORÇAS
Diante da movimentação de integrantes das facções entre municípios, as forças de segurança mantêm rápida troca de informações entre policiais militares e civis, inclusive com estados vizinhos, como Mato Grosso e São Paulo.
A prisão de N.S.S. demonstra essa integração. Informações reunidas por forças de diferentes cidades e estados permitiram que a Força Tática de Santa Fé do Sul localizasse e capturasse o integrante do Comando Vermelho.
O compartilhamento de dados também auxilia na identificação de veículos, esconderijos, armas e pessoas que dão suporte às ações criminosas.
ALERTA AOS JOVENS
O cenário também acende um alerta para adolescentes e jovens que, mesmo sem envolvimento com o crime organizado, fazem gestos, publicam símbolos, frases ou referências associadas a alguma facção rival do Comando Vermelho nas redes sociais.
Em meio à guerra entre as facções, esse tipo de exposição pode ser interpretado pelos criminosos como demonstração de apoio, simpatia ou pertencimento à organização rival, mesmo quando não existe qualquer vínculo efetivo.
Fotografias e publicações podem circular entre integrantes desses grupos e fazer com que uma pessoa seja equivocadamente identificada como rival ou até mesmo considerada alvo.
O alerta, portanto, é para que símbolos e sinais relacionados às facções não sejam tratados como brincadeira ou forma de ostentação nas redes sociais, diante dos riscos envolvidos nessa disputa criminosa.
SUPOSTA LISTA DE ALVOS
Também circula pelas redes sociais uma lista atribuída ao Comando Vermelho contendo nomes de pessoas de Três Lagoas que supostamente teriam sido decretadas como alvos da facção.
A autenticidade, autoria e origem do material ainda não foram oficialmente confirmadas pelas autoridades. Por esse motivo, o 24h News MS não divulgará os nomes mencionados na relação.
Após a prisão, N.S.S. e os materiais apreendidos foram encaminhados à Delegacia de Polícia Civil de Aparecida do Taboado (MS), onde a prisão foi ratificada pela autoridade policial. Ele permaneceu preso e à disposição da Justiça.
As investigações continuam para esclarecer a participação do suspeito em outros crimes, além de identificar outros envolvidos.