O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a usar o Caso Master como argumento de campanha contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e afirmou, nesta sexta-feira (11/09), que Daniel Vorcaro teria sido “criado” como banqueiro durante o governo anterior.
A declaração foi feita durante ato eleitoral em Porto Alegre (RS).
“Eles criaram um banqueiro, chamado [Daniel] Vorcaro, em 2019. Na época deles, o bandido virou banqueiro. No meu mandato, ele virou prisioneiro, porque foi o maior golpe da história desse país”, declarou Lula.
A fala representa uma acusação política do presidente e deve ser tratada como posição de campanha. O conteúdo citado por Lula não corresponde, por si só, a uma conclusão judicial sobre responsabilidade do governo Bolsonaro pela trajetória de Vorcaro.
Durante o mesmo discurso, Lula afirmou que a disputa eleitoral deste ano será marcada pelo confronto entre o que classificou como verdade e mentira.
“Contar mentira é muito fácil, você não tem que explicar. Sobretudo agora com o telefone e a internet. Mas quem fala a verdade tem que explicar, precisa explicar. E eu resolvi dizer: esse é o ano. Falta apenas 22 ou 23 dias para que a verdade nocauteie a mentira e a gente continue governando esse país para fazer o que precisa ser feito ainda. Eu sei o que eu fiz e eu tenho muito orgulho de dizer para vocês”, afirmou.
O ato reuniu a candidata ao governo do Rio Grande do Sul, Juliana Brizola (PDT), os candidatos ao Senado Paulo Pimenta (PT) e Manuela d’Ávila (PSOL), além de candidatos proporcionais, apoiadores e outras lideranças políticas.
INSS TAMBÉM ENTRA NO DISCURSO
Lula também mencionou o escândalo envolvendo descontos indevidos nas folhas de pagamento de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Segundo o presidente, o caso levou cerca de dois anos para ser identificado a partir de investigações da Controladoria-Geral da União.
“Nós demoramos dois anos para descobrir a quadrilha do INSS. Dois anos investigando na Controladoria-Geral da República. Eu, presidente da República, defendi a ideia de que a gente deveria abrir uma CPI da Previdência Social. Mas o pessoal achou que não era prudente, a gente era governo. Como eu ia abrir uma CPI? A direita abriu e tentou jogar nas nossas costas a responsabilidade da corrupção da Previdência Social”, disse.
Na sequência, Lula voltou a atribuir a origem do esquema ao governo Bolsonaro.
“Ela foi criada no governo Bolsonaro. Ela foi desmontada por mim. Eles enricaram no governo Bolsonaro e foram presos no meu governo”, declarou.
As afirmações também fazem parte da narrativa política apresentada por Lula durante a campanha e não substituem as apurações formais sobre responsabilidades individuais nos casos citados.