A diretora-presidente da Santa Casa de Campo Grande, Alir Terra Lima, e outros integrantes da administração do hospital foram presos na sexta-feira (11/09), durante a Operação Antidotum, que investiga possíveis desvios de pelo menos R$ 4,9 milhões em contratos e pagamentos realizados pela instituição e pela Santa Casa Saúde.
A operação é conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). Ao todo, foram expedidos seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão.
Além de Alir, foram presos o diretor financeiro Rinaldo Hakme Romano, o diretor financeiro adjunto Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa, o diretor administrativo Alessandro Dias Junqueira e a supervisora do setor de prontuários Monique Gregório de Oliveira.
O empresário Maurício Aparecido Benites, ligado ao setor de tecnologia, também foi conduzido à delegacia.
Uma das frentes da investigação apura a contratação de serviços de digitalização de prontuários. Segundo os investigadores, o hospital teria realizado pagamentos elevados sem receber os serviços correspondentes. O prejuízo estimado nessa parte da apuração é de R$ 1,4 milhão.
As investigações também alcançaram a Santa Casa Saúde, operadora controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande.
Segundo a apuração, foram identificados contratos com empresas de um mesmo grupo econômico, cujo proprietário teria vínculos com integrantes da direção do hospital.
Essas empresas estavam registradas em um mesmo endereço, mas o imóvel foi encontrado desocupado durante as diligências.
Em 2025, a Santa Casa Saúde teria pago aproximadamente R$ 9,6 milhões ao grupo empresarial. Desse montante, os investigadores apontam um possível prejuízo de R$ 3,5 milhões.
Somadas, as duas frentes da investigação apontam prejuízo de pelo menos R$ 4,9 milhões.
A apuração sustenta ainda que contratos, registros de pagamentos e prestações de contas teriam sido omitidos de órgãos responsáveis pela fiscalização, entre eles o Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado.
Em nota, a Santa Casa informou que acompanha o trabalho das autoridades e que está à disposição para fornecer as informações formalmente solicitadas.
A instituição afirmou ainda que irá se manifestar sobre o conteúdo da investigação após ter acesso aos autos e informou que os atendimentos aos pacientes continuam normalmente.
Representantes das defesas de Alir Terra Lima e Rinaldo Hakme Romano confirmaram as prisões e informaram que deverão se manifestar posteriormente.
As defesas de Maurício Aparecido Benites e Monique Gregório de Oliveira disseram que aguardam acesso aos autos antes de apresentar posicionamento.
A operação ocorre em meio a dificuldades financeiras enfrentadas pela Santa Casa, com atrasos nos pagamentos a funcionários e fornecedores.
A saída de médicos especialistas também levou ao fechamento da ala de cirurgia cardíaca pediátrica, que atendia pacientes de Mato Grosso do Sul.
Após o episódio, o Governo do Estado e a Prefeitura de Campo Grande anunciaram um repasse emergencial de R$ 4 milhões.
Paralelamente, a Santa Casa busca na Justiça a ampliação dos recursos públicos destinados ao hospital. Em uma das ações, a instituição pede um acréscimo de R$ 156 milhões por ano e alega enfrentar déficit mensal de aproximadamente R$ 13 milhões.
As investigações continuam e as suspeitas apuradas na Operação Antidotum ainda deverão ser analisadas no decorrer do processo.