A Prefeitura de São Paulo paga pouco mais de R$ 4 milhões por mês ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG ligada à produtora do filme Dark Horse, no âmbito de um contrato para fornecimento e manutenção de pontos de wi-fi em comunidades da capital paulista.
Firmado em 2024, o acordo é alvo de investigações da Polícia Federal e da Polícia Civil de São Paulo por suspeitas de irregularidades no processo de licitação e na execução do contrato. A Prefeitura de São Paulo nega qualquer irregularidade.
Também é investigada a suspeita de desvio de recursos para a produção cinematográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A produtora Go UP Entertainment pertence a Karina Gama, que também é sócia do Instituto Conhecer Brasil.
Karina foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal na última quinta-feira (10/09).
Neste domingo (13/09), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo das investigações relacionadas ao caso.
Na sexta-feira (11/09), o prefeito Ricardo Nunes afirmou que pretende consultar o STF sobre a necessidade de rompimento do contrato.
“Vamos consultar o STF se a empresa realmente não pode mais ter contrato com ninguém (…) Se ele (Dino) fez um processo de criminalização antecipada, a gente vai ter que romper o contrato e vamos deixar de ter 3.200 pontos de Wi-Fi nas comunidades e nas favelas, mas sempre respeitando aquilo que o Judiciário determina”, afirmou Nunes.
CONTRATO SEGUE EM EXECUÇÃO
De acordo com documento da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT), datado de 11 de junho deste ano, apesar das investigações, a parceria continuava regularmente em execução.
O contrato inicial tinha valor de R$ 108 milhões e previa a instalação de cerca de 5 mil pontos de wi-fi. O Instituto Conhecer Brasil foi o único proponente na sessão pública realizada em junho de 2024.
Segundo a Prefeitura, posteriormente foram realizadas “reavaliações de planejamento e disponibilidade orçamentária”, fazendo com que a execução passasse a se concentrar em aproximadamente 3.200 pontos, que a gestão municipal afirma estarem atualmente em funcionamento.
A administração municipal também nega que tenham ocorrido pagamentos por pontos que não foram instalados.
“A expansão e o cumprimento integral da meta originalmente prevista de 5.000 pontos foram interrompidos em razão de restrições e remanejamentos orçamentários supervenientes, sendo priorizada a preservação da infraestrutura já implantada e a continuidade dos serviços efetivamente disponibilizados à população”, diz documento da secretaria anexado aos autos.
CONTRATO CHEGA A R$ 157,1 MILHÕES
Em dezembro de 2025, foi assinado um termo de aditamento de R$ 49,2 milhões, elevando o valor total do contrato para R$ 157,1 milhões.
Publicado em janeiro de 2026, o aditivo prorrogou a parceria por mais 12 meses.
Segundo a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia, o valor atual corresponde a R$ 1.280,80 por ponto de wi-fi por mês.
“Com a consolidação da infraestrutura instalada, os aditamentos promoveram uma redução drástica no valor unitário, que passou a ser fixado em R$ 1.280,80 por ponto/mês, perfazendo o valor total anualizado de R$ 49.182.720,00 para o exercício de 2026 (gerando um custo de repasse mensal atual de exatamente R$ 4.098.560,00) focado estritamente na operação e manutenção”, informou a SMIT.