O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou o Brasil pelo combate ao crime organizado e, no mesmo documento, elogiou governos latino-americanos por medidas adotadas contra o narcotráfico. A avaliação consta da determinação anual norte-americana sobre os principais países de trânsito ou produção de drogas ilícitas.
Apesar das críticas, o Brasil não aparece na lista de 23 países classificados pelos Estados Unidos como grandes territórios de trânsito ou produtores de drogas ilícitas. O próprio documento ressalta que a inclusão na relação não representa necessariamente uma avaliação negativa sobre as ações antidrogas de determinado governo, já que também são considerados fatores geográficos, comerciais e econômicos.
No trecho dedicado ao Brasil, o governo Trump afirma que o país “falhou em confrontar” o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), classificados pelos Estados Unidos como organizações terroristas estrangeiras. O documento também atribui às facções participação na transformação do Brasil em um centro de circulação internacional de cocaína e cobra medidas mais duras do governo brasileiro. Essas afirmações representam a avaliação da administração norte-americana.
ELOGIOS A GOVERNOS DA REGIÃO
Em contraste com a avaliação sobre o Brasil, o documento elogia Argentina, Equador e El Salvador pela atuação contra o chamado narcoterrorismo e cita a disposição da presidente do Peru, Keiko Fujimori, em cooperar com Washington no combate ao crime organizado.
Argentina não integra a lista de 23 países, enquanto Equador, El Salvador e Peru aparecem na relação. A presença na lista, segundo a própria determinação norte-americana, decorre de fatores ligados à produção ou ao trânsito de drogas e não significa, por si só, reprovação à política antidrogas do governo do país.
Na Colômbia, Trump elogiou o presidente Abelardo de la Espriella e indicou que a avaliação norte-americana poderá ser revista caso o país avance no combate ao cultivo de coca e à produção de cocaína. A Venezuela também foi mencionada pela maior cooperação atribuída por Washington ao governo de Delcy Rodríguez no enfrentamento aos cartéis.
RESPOSTA DO GOVERNO BRASILEIRO
Após a publicação das críticas, o Ministério da Justiça e Segurança Pública rebateu a avaliação norte-americana. Em nota, o governo brasileiro afirmou que “refuta quaisquer alegações” de falhas ou omissões no enfrentamento ao crime organizado transnacional e disse que o documento desconsidera medidas adotadas pelo país.
O Ministério também destacou que o Brasil não foi incluído entre os 23 países formalmente classificados pelos Estados Unidos como grandes produtores ou territórios de trânsito de drogas ilícitas.