Polícia SEGURANÇA PÚBLICA
Fronteira de MS leva segurança a uma nova etapa de inteligência e integração
Plano de Eduardo Riedel destaca queda dos crimes violentos letais e integração policial, enquanto propõe ampliar tecnologia, prevenção e combate às organizações transfronteiriças
24/09/2026 07h11
Por: Redação 24h News MS
Eduardo Riedel apresenta propostas para ampliar inteligência, tecnologia e integração das forças de segurança na fronteira de Mato Grosso do Sul. (Foto: Reprodução/Eduardo Riedel)

Com 1.365 quilômetros de fronteira internacional, Mato Grosso do Sul ampliou a integração entre forças estaduais, federais e internacionais e registrou, segundo o plano, queda consistente dos crimes violentos letais. A proposta de Eduardo Riedel para o próximo mandato prevê implementar integralmente o LabSejusp, fortalecer inteligência e análise de dados, intensificar o combate aos crimes transfronteiriços e consolidar ações preventivas capazes de levar mais proteção a quem vive, trabalha e circula nas regiões de fronteira.

Ao longo de 1.365 quilômetros de fronteira internacional, segurança pública deixa de ser uma ideia distante. Ela acompanha quem mora, trabalha, transporta mercadorias ou circula por regiões onde a atuação do crime organizado exige respostas coordenadas. Para essas pessoas, proteção significa presença policial capaz de agir com informação, instituições que compartilhem dados e uma atuação pública que não comece apenas depois da violência.

É nesse território que o governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, situa uma das prioridades de seu Plano de Governo para 2027–2030. A proposta combina combate ao crime organizado, integração das forças de segurança, tecnologia, análise de dados e prevenção.

“O objetivo é consolidar um modelo que não se limite à reação policial, mas procure antecipar riscos, proteger comunidades e ampliar a capacidade do Estado de enfrentar crimes que atravessam fronteiras”, explica.

Uma fronteira que exige coordenação

A dimensão territorial ajuda a explicar por que a segurança de Mato Grosso do Sul ultrapassa o interesse estritamente estadual. Ao longo da divisa internacional, a atuação contra organizações criminosas depende de policiamento territorial, inteligência e cooperação entre instituições com responsabilidades diferentes. O balanço apresentado no plano mostra que essa resposta ganhou forma com a implantação do Plano de Fronteira, estruturado com presença qualificada e integração entre forças estaduais, federais e internacionais.

Na prática, essa concepção procura reduzir os espaços entre uma informação e outra, entre uma ocorrência local e uma investigação mais ampla, entre a apreensão realizada em uma região e a identificação da rede criminosa que opera além dela. O plano deixa clara a direção da política: fortalecer a atuação conjunta para que a extensão da fronteira não se transforme em isolamento institucional.

O documento atribui ao período de 2023 a 2026 uma queda consistente das taxas de crimes violentos letais. Também registra a vice-liderança nacional de Mato Grosso do Sul na apreensão de drogas e destaca a eficiência na solução de homicídios. “Os resultados são parte de uma política que reuniu inteligência de dados, policiamento territorial e enfrentamento ao crime organizado, embora o plano não informe, nesse trecho, a série histórica, os percentuais ou a metodologia dos indicadores”, sustenta o governador.

A apreensão de drogas tem peso particular porque traduz o papel estratégico do Estado em uma dinâmica criminal que não respeita divisas administrativas. No desenho apresentado pelo Plano de Governo, o dado funciona como indicador da presença operacional e da capacidade de repressão. Ele, porém, não encerra o problema. A proposta para o próximo mandato parte da ideia de que a segurança precisa combinar essa resposta com investigação, tecnologia e prevenção permanente.

Tecnologia para ligar os pontos

Um dos principais instrumentos dessa transição é o LabSejusp. A estrutura foi criada para desenvolver soluções tecnológicas. Ao mesmo tempo, sua implementação integral aparece entre os compromissos para o próximo ciclo.

Entre 2027 e 2030, a proposta é usar o LabSejusp para ampliar e modernizar a inteligência, a tecnologia e a análise de dados aplicadas à prevenção e à repressão criminal. Em vez de tratar cada ocorrência como um episódio isolado, a estratégia busca criar capacidade para relacionar informações, reconhecer padrões e orientar a atuação das forças de segurança. O plano também prevê intensificar o combate aos crimes transfronteiriços e ao crime organizado.

Para Riedel, a continuidade dessa política passa pelo fortalecimento da atuação integrada. Isso significa preservar a cooperação construída no Plano de Fronteira e ampliar a capacidade institucional de responder a uma criminalidade que se movimenta entre territórios, utiliza rotas diversas e exige investigação articulada. “A tecnologia, nesse desenho, não substitui o trabalho policial: deve servir para qualificar decisões, aproximar instituições e tornar mais precisa a presença do Estado”.

O plano também inclui o fortalecimento da polícia científica numa abordagem mais ampla de segurança pública. Ao lado da inteligência e da análise de dados, essa estrutura reforça a prioridade dada à capacidade investigativa e ao esclarecimento de crimes. “Para o cidadão, esse processo se traduz na expectativa de uma resposta pública menos fragmentada e com maior capacidade de alcançar as estruturas do crime organizado, e não apenas os seus efeitos imediatos”, reflete o candidato.

Segurança antes da violência

A proposta para o próximo mandato não restringe segurança pública à fronteira física nem ao momento da repressão. O plano defende políticas permanentes de prevenção à violência nas comunidades e a integração das ações de segurança com educação, esporte, cultura e assistência social. A formulação amplia o foco: enfrentar organizações criminosas continua central, mas a proteção cotidiana também depende de fortalecer a presença pública onde a violência encontra espaço para crescer.

Essa lógica aproxima duas realidades que muitas vezes aparecem separadas. De um lado, estão as operações contra crimes transfronteiriços, o uso de inteligência e a cooperação institucional. De outro, a vida das comunidades, a prevenção, a proteção das vítimas e a oferta de oportunidades. “Em um estado de fronteira, as duas frentes devem caminhar juntas: repressão qualificada ao crime organizado e redução da violência nos territórios mais vulneráveis”, aponta Riedel.

O conjunto de ações ainda incorpora o fortalecimento da ressocialização e a redução da reincidência criminal, além do combate a roubos, furtos patrimoniais e violência viária. São medidas que levam a política para além das grandes operações e a conectam com riscos mais próximos da rotina.

Para quem circula pelas cidades e estradas, mantém um pequeno negócio, transporta produção ou vive em regiões distantes dos grandes centros, segurança também é poder realizar esses movimentos com menor exposição à violência.

A próxima etapa da proteção

A passagem do balanço de 2023–2026 para as propostas de 2027–2030 mostra uma política estratégica para o setor. O Plano de Fronteira foi implantado, a integração institucional avançou e o LabSejusp foi criado, mas a próxima etapa prevê implementar integralmente o laboratório, aprofundar o uso de inteligência e dados, consolidar políticas preventivas e intensificar o enfrentamento aos crimes transfronteiriços. O compromisso de Riedel é ampliar capacidades já iniciadas, não apresentar a segurança como um problema resolvido.

“Vamos trabalhar mais para intensificar a integração entre as forças, implantação efetiva do LabSejusp, presença nas comunidades e uso consistente de tecnologia na prevenção e na investigação”, avisa o governador.

Para Mato Grosso do Sul, proteger a fronteira significa proteger também os caminhos que ligam pessoas, municípios e atividades econômicas. Significa impedir que a distância favoreça o crime, fazer a informação circular com mais rapidez que as organizações criminosas e aproximar a atuação policial da vida cotidiana.

É nesse ponto — entre uma fronteira de 1.365 quilômetros e a segurança de quem vive ao longo dela — que a proposta de continuidade pretende ganhar sua medida concreta: um Estado mais integrado, capaz de agir antes, investigar melhor e permanecer presente onde a proteção é mais necessária.