A China ampliou o mercado para produtos suínos brasileiros após formalizar, no sábado (26/09), um novo protocolo sanitário que permite a exportação de miúdos internos, como fígado, rins e estômago.
A abertura pode direcionar mais de 100 mil toneladas por ano ao mercado chinês e acrescentar mais de US$ 100 milhões à receita do setor, segundo estimativa da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Até então, o acesso brasileiro era mais restrito. Santa Catarina tinha autorização para exportar determinados miúdos externos, como pés, orelhas e rabos, mas os produtos internos não estavam incluídos.
Com o novo acordo, frigoríficos brasileiros que já possuem habilitação para vender produtos suínos à China poderão solicitar a ampliação do escopo para incluir os novos itens autorizados.
O protocolo foi assinado em Brasília pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e pelo embaixador chinês no Brasil, Zhu Qingqiao.
A projeção da ABPA considera principalmente o potencial de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Para os catarinenses, a entidade estima espaço para 65,9 mil toneladas anuais de miúdos internos. No Rio Grande do Sul, o potencial supera 40 mil toneladas.
Somados, os dois estados ultrapassam a marca de 100 mil toneladas por ano.
Mato Grosso do Sul
Ainda não foi divulgada uma estimativa específica de volume ou receita para Mato Grosso do Sul relacionada à nova abertura comercial.
A medida, no entanto, ocorre em um momento de crescimento da produção estadual.
Entre janeiro e julho de 2026, 2,1 milhões de suínos foram abatidos sob fiscalização federal em Mato Grosso do Sul, aumento de 16% em relação ao mesmo período de 2025.
O Estado ocupa a quinta posição nacional em quantidade de animais abatidos.
Apesar do avanço da produção, a maior parte dos suínos de Mato Grosso do Sul ainda é destinada ao mercado interno. Entre 1,6% e 1,8% da produção segue para exportação, conforme dados apresentados pela cadeia produtiva.
O crescimento dos abates ocorre junto à ampliação de granjas e da capacidade industrial no Estado.
Negociações com a China
As tratativas para ampliar o acesso ao mercado chinês avançaram em maio, quando autoridades brasileiras e chinesas definiram os requisitos técnicos para a revisão do protocolo de carne suína e subprodutos.
A assinatura realizada no fim de semana concluiu essa etapa das negociações.
O processo também foi favorecido pelo reconhecimento de todo o território brasileiro como livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), obtido em maio de 2025.