Polícia DELEGADO AFASTADO
Após prisão, delegado investigado por suposto desvio de drogas é afastado da chefia de delegacia em MS
Portaria oficializou saída de Hoffman D’Ávila do comando da Delegacia de Polícia Civil de Terenos
29/09/2026 09h33 Atualizada há 3 horas
Por: Redação 24h News MS
Hoffman D’Ávila deixa a função de delegado titular em Terenos após prisão na Operação Infiltrados, que apura suposto desvio de drogas apreendidas em Mato Grosso do Sul. (Foto: Reprodução)

A Delegacia de Polícia Civil de Terenos está sob novo comando após a prisão do delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, investigado por suposta participação em um esquema de desvio e revenda de drogas apreendidas pelas forças de segurança de Mato Grosso do Sul.

Conforme publicado no Diário Oficial do Estado, Hoffman foi dispensado da função de confiança de delegado titular da unidade. A medida não significa a demissão do cargo efetivo de delegado, mas a retirada da função de chefia que exercia em Terenos.

Antes da mudança, o servidor já havia sido afastado compulsoriamente enquanto permanecer preso preventivamente.

A delegada Bárbara Camargo Alves foi designada para responder pelo expediente da unidade entre 24 de setembro e 23 de outubro. Ela é adjunta da 2ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande e assumirá temporariamente as atividades administrativas e operacionais da delegacia.

Hoffman está preso desde quinta-feira (24/09), quando foi alvo da Operação Infiltrados. A prisão preventiva foi mantida após audiência de custódia.

As medidas adotadas são cautelares. A investigação ainda está em andamento, e os envolvidos não podem ser considerados culpados antes de eventual condenação definitiva.

DROGAS APREENDIDAS TERIAM VOLTADO AO TRÁFICO

A Operação Infiltrados, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), investiga a suspeita de que entorpecentes retirados de circulação durante operações policiais tenham sido desviados e posteriormente entregues a traficantes.

Uma das linhas de investigação apura se parte das drogas encontradas em determinadas ocorrências, principalmente cocaína, deixava de ser incluída nos registros oficiais. Nesse cenário investigado, a quantidade registrada seria inferior ao volume efetivamente apreendido, possibilitando o suposto desvio da diferença.

Outra frente apura a possível retirada de entorpecentes que já haviam sido oficialmente registrados e estavam armazenados em depósitos de delegacias. A suspeita é de que essas drogas fossem posteriormente repassadas a integrantes do grupo investigado e recolocadas no mercado ilegal.

OPERAÇÃO CUMPRIU DEZENAS DE MANDADOS

A operação teve como alvos policiais civis, militares, um policial penal e outros suspeitos de integrar ou colaborar com o suposto esquema.

Foram expedidos 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 ordens de busca e apreensão, cumpridos em Campo Grande, Dourados e Terenos.

Além de Hoffman, sete investigadores da Polícia Civil foram afastados de suas atividades. Armas, carteiras funcionais e outros bens institucionais foram recolhidos, e as credenciais de acesso aos sistemas policiais foram suspensas.

Conforme a apuração divulgada, a investigação começou em outubro de 2025, após elementos relacionados ao possível desvio de drogas terem sido identificados durante as operações Traquetos e Blindspot, também realizadas pelo Gaeco.

As investigações continuam para apurar a participação de cada suspeito, a quantidade de entorpecentes supostamente desviada e o destino das drogas.