O relatório final da CPI das Bets, elaborado pela senadora de Mato Grosso do Sul Soraya Thronicke (PSB), foi rejeitado no Senado em junho de 2025, mas empresas que apareceram na investigação voltaram ao centro das atenções após uma ação ajuizada pela Advocacia-Geral da União (AGU).
Conforme reportagem da Agência Pública, o relatório de Soraya foi rejeitado por 4 votos a 3. Agora, documentos reunidos durante os trabalhos da comissão aparecem em uma ação da AGU contra empresas ligadas ao setor de apostas online.
Em 28 de setembro, a AGU ajuizou ação contra 17 empresas ligadas a 20 marcas de apostas, buscando ressarcimento por prejuízos e indenização por danos morais coletivos.
EMPRESAS JÁ APARECIAM NA CPI DAS BETS
Segundo a reportagem, pelo menos 14 das empresas envolvidas na ação já apareciam na documentação reunida pela CPI das Bets. Desse grupo, 12 foram mencionadas no relatório final elaborado por Soraya.
Com a rejeição do relatório no Senado, os pedidos de indiciamento e as recomendações de novas medidas contra o setor não avançaram no âmbito da CPI.
Mesmo após a derrota, Soraya encaminhou o material produzido pela comissão às autoridades e continuou defendendo mudanças na legislação para ampliar o controle sobre as apostas online.
O documento apontava suspeitas envolvendo empresas, influenciadores e pessoas ligadas ao mercado, além de recomendar medidas para restringir os chamados cassinos online, entre eles jogos como o popularmente conhecido Tigrinho.
RELATÓRIO PROPÔS INDICIAMENTOS
Entre os pedidos apresentados no relatório estavam nomes ligados à OIG, pessoas relacionadas à Sportingbet e influenciadoras como Virginia Fonseca e Deolane Bezerra.
Entre as empresas citadas pela Agência Pública que aparecem tanto na documentação da CPI quanto na ação da AGU estão OIG, NSX e Ventmear, relacionadas a marcas como 7Games, Betão, Betnacional e Sportingbet.
A OIG ganhou destaque durante os trabalhos da comissão. Em novembro de 2024, Fernando Oliveira Lima, conhecido como Fernandim OIG, prestou depoimento aos senadores.
Durante a sessão, ele confirmou vínculos empresariais com a OIG e, ao ser questionado sobre o chamado jogo do Tigrinho, negou ser proprietário do jogo e afirmou que a empresa pagava para disponibilizar o conteúdo.
PEDIDOS NÃO AVANÇARAM NA COMISSÃO
Meses depois, o relatório elaborado por Soraya propôs o indiciamento de Fernando, de um primo e do administrador da empresa por suspeitas de lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Como o relatório final foi rejeitado, os pedidos não prosperaram no âmbito da CPI. O material produzido durante a investigação, no entanto, foi encaminhado às autoridades.
A nova ação da AGU coloca novamente empresas ligadas ao mercado de apostas sob análise judicial, incluindo companhias que já haviam aparecido nos documentos reunidos pela comissão parlamentar.