Mato Grosso do Sul completa neste domingo (11) 49 anos de criação em meio a uma das maiores transformações econômicas de sua história. Tradicionalmente reconhecido pela força da agropecuária, o Estado chega à data com uma indústria em expansão, exportações recordes e investimentos bilionários que redesenham diferentes regiões.
Criado pela Lei Complementar nº 31, sancionada em 11 de outubro de 1977, Mato Grosso do Sul foi efetivamente instalado em 1º de janeiro de 1979. A separação de Mato Grosso buscava facilitar a administração de um território extenso e atender às diferenças econômicas e sociais existentes entre o norte e o sul da antiga unidade federativa.
Hoje, o Estado reúne 79 municípios, ocupa pouco mais de 357 mil quilômetros quadrados e tem população estimada em aproximadamente 2,95 milhões de habitantes. Apesar de representar uma parcela relativamente pequena da população brasileira, Mato Grosso do Sul possui participação expressiva na produção de alimentos, celulose, carnes, biocombustíveis, minério e energia.
ECONOMIA PODE SUPERAR R$ 245 BILHÕES
O Produto Interno Bruto sul-mato-grossense chegou a R$ 184,4 bilhões em 2023, último resultado consolidado utilizado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc). Naquele ano, a economia estadual cresceu 13,44%, impulsionada principalmente pelas safras agrícolas e pelas exportações.
Para 2026, a projeção da Semadesc aponta um PIB de aproximadamente R$ 245,6 bilhões, com crescimento real de 5,3%. Por se tratar de uma estimativa, o resultado ainda pode ser alterado pelas condições econômicas, pelo desempenho da agropecuária e pelo ritmo de execução dos investimentos.
O avanço mostra que Mato Grosso do Sul começa a reduzir a dependência dos ciclos agrícolas. O campo permanece essencial, mas uma parcela crescente das matérias-primas passa a ser processada dentro do próprio Estado, gerando empregos, arrecadação e produtos de maior valor agregado.
Um levantamento apresentado pelo Governo do Estado em 2025 estimou em R$ 105 bilhões a carteira de investimentos privados em andamento ou anunciados para os anos seguintes. Os projetos abrangem celulose, energia, bioenergia, mineração, proteína animal, irrigação e diversificação agrícola.
Entre os grandes empreendimentos relacionados pela Semadesc estão o Projeto Sucuriú, da Arauco, em Inocência, com investimento anunciado de R$ 25,1 bilhões; o projeto da Bracell, em Bataguassu, estimado em R$ 25 bilhões; aportes da LHG Mining, em Corumbá; projetos de energia da Casa dos Ventos; e novas unidades ligadas ao etanol, à agroindústria e ao processamento de grãos. Os valores correspondem a anúncios empresariais e não significam, necessariamente, que todo o recurso já tenha sido executado.
REGIÃO LESTE GANHA PROTAGONISMO
A região leste ocupa posição central nessa nova etapa. Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo, Inocência, Água Clara, Brasilândia, Santa Rita do Pardo e Bataguassu formam um corredor florestal e industrial que atrai fábricas, fornecedores, transportadoras e trabalhadores de diferentes partes do País.
Três Lagoas liderou as exportações estaduais em 2025, respondendo por 19,68% de tudo o que Mato Grosso do Sul vendeu ao exterior. Ribas do Rio Pardo apareceu na segunda posição, com participação próxima de 11%. O desempenho das duas cidades está diretamente relacionado à produção de celulose.
O reflexo também aparece no mercado de trabalho. Entre janeiro e agosto deste ano, Inocência apresentou saldo de 4.446 empregos industriais, o maior de Mato Grosso do Sul. Três Lagoas veio em seguida entre as cidades do interior, com 1.394 vagas abertas no setor. A construção de grandes empreendimentos e a ampliação da capacidade produtiva explicam parte relevante das contratações.
Em todo o Estado, a indústria criou 9.928 postos formais nos oito primeiros meses de 2026 e passou a reunir mais de 181,1 mil trabalhadores. O setor respondeu por 48,5% de todas as vagas abertas em Mato Grosso do Sul no período. Montagem industrial, construção de rodovias e ferrovias, fabricação de álcool, construção de edifícios e instalações elétricas estiveram entre as atividades que mais contrataram.
FLORESTAS TRANSFORMAM O MAPA PRODUTIVO
A silvicultura tornou-se uma das marcas da economia estadual. A área de florestas plantadas passou de 341 mil hectares em 2010 para aproximadamente 1,9 milhão de hectares na safra 2024/2025. Mato Grosso do Sul já possui a segunda maior área de eucalipto do Brasil e concentrou cerca de 80% da expansão nacional registrada em 2024.
A cadeia florestal representa aproximadamente 17,8% do PIB industrial do Estado, gera mais de 20 mil empregos diretos e outros 12 mil indiretos. As unidades também produzem mais de 780 megawatts de energia renovável a partir de resíduos do processo industrial.
Ao lado da celulose, cresce a produção de etanol de cana e de milho, biogás e biometano. O avanço das usinas amplia o aproveitamento dos grãos e resíduos, reduz a dependência de combustíveis fósseis e abre uma nova frente para a economia de baixo carbono.
A diversificação chega também ao campo. O Estado expande áreas de citricultura, amendoim, cana, milho e sistemas integrados de lavoura, pecuária e floresta. Levantamento apresentado pela Semadesc aponta cerca de 35 mil hectares de citros e coloca Mato Grosso do Sul como segundo maior produtor brasileiro de amendoim, com 8% da produção nacional.
EXPORTAÇÕES REFORÇAM PESO NACIONAL
Mato Grosso do Sul encerrou 2025 com US$ 10,7 bilhões em exportações, o maior valor de sua história. As importações somaram US$ 2,8 bilhões, deixando um superávit comercial próximo de US$ 8 bilhões.
A celulose liderou a pauta, com 28,98% das vendas externas, seguida pela soja, com cerca de 22%, e pela carne bovina, com aproximadamente 17%. A China recebeu 48,57% de tudo o que o Estado exportou naquele ano.
O desempenho continuou em 2026. Entre janeiro e agosto, as exportações industriais atingiram US$ 5,39 bilhões, recorde para o período e crescimento de 5% na comparação anual. A indústria respondeu por 66% das vendas estaduais ao exterior, liderada pela celulose e pelo complexo frigorífico.
Esses números ajudam a dimensionar a importância de Mato Grosso do Sul para o Brasil. O Estado fornece alimentos, combustíveis renováveis, matéria-prima industrial, celulose e minérios a dezenas de países, contribuindo diretamente para o saldo positivo da balança comercial brasileira.
CAMINHO MAIS CURTO ATÉ O PACÍFICO
A localização geográfica é outra vantagem estratégica. Mato Grosso do Sul faz fronteira com Paraguai e Bolívia, está próximo dos grandes centros consumidores do Sudeste e pode se tornar uma das principais portas brasileiras para o Oceano Pacífico.
A Rota Bioceânica pretende ligar o Centro-Oeste aos portos do norte do Chile, atravessando Paraguai e Argentina. Um dos principais trechos é a ponte internacional entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta.
O corredor completo terá aproximadamente 3,9 mil quilômetros. Segundo projeções apresentadas pela Semadesc, o trajeto poderá reduzir em até 12 a 17 dias o transporte de mercadorias brasileiras para mercados asiáticos. Além das obras rodoviárias, a estrutura exige postos aduaneiros, centros de distribuição, áreas de apoio aos caminhoneiros e integração entre os sistemas de fiscalização dos quatro países.
O Estado também busca ampliar o uso da hidrovia do Rio Paraguai, recuperar a Malha Oeste e melhorar as rodovias que atendem às regiões produtoras. A infraestrutura será decisiva para evitar que o crescimento industrial seja limitado pelo custo do transporte.
NATUREZA TAMBÉM MOVIMENTA A ECONOMIA
Se a indústria amplia o peso econômico, o Pantanal, Bonito e a Serra da Bodoquena projetam Mato Grosso do Sul no turismo nacional e internacional.
Em 2025, o Estado recebeu 11 premiações relacionadas ao turismo, à sustentabilidade e à inovação. Entre janeiro e outubro daquele ano, os aeroportos de Campo Grande, Bonito, Corumbá e Ponta Porã registraram 724,6 mil desembarques, crescimento de 5,6%. Bonito recebeu mais de 247 mil turistas no mesmo intervalo.
A conservação ambiental, entretanto, tornou-se parte inseparável do desafio econômico. O aumento das florestas comerciais, das lavouras, das indústrias e da infraestrutura exige planejamento sobre água, biodiversidade, ocupação urbana e prevenção de incêndios.
O crescimento acelerado também pressiona cidades como Inocência, Ribas do Rio Pardo e Três Lagoas, que precisam ampliar moradias, escolas, unidades de saúde, saneamento, transporte e qualificação profissional. O grande desafio da próxima década será transformar os investimentos privados em melhoria permanente da qualidade de vida.
MOBILIDADE SOCIAL COLOCA MS ENTRE OS LÍDERES DO PAÍS
O crescimento econômico de Mato Grosso do Sul começa a produzir efeitos que vão além das exportações, da arrecadação e da expansão industrial. Aos 49 anos, o Estado aparece entre as unidades da Federação com as maiores possibilidades de ascensão social, conceito que mede as chances de uma pessoa alcançar condições de vida melhores do que as de sua família de origem.
No Atlas da Mobilidade Social de 2025, Mato Grosso do Sul apresentou a maior probabilidade do Brasil de uma criança chegar, na vida adulta, ao grupo dos 10% mais ricos. A chance foi calculada em 2,91%, diante de uma média nacional de 1,81%.
A edição de 2026 adotou outro critério: a possibilidade de alguém nascido em uma família de renda intermediária chegar aos 25% mais ricos. Nessa avaliação, Mato Grosso do Sul registrou 21,82%, acima da média brasileira, de 17,57%, mas atrás de Santa Catarina, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Paraná. Portanto, o Estado permanece entre os destaques nacionais, embora não ocupe a primeira posição no levantamento mais recente.
Para o governador Eduardo Riedel, a mobilidade social representa uma das principais conquistas obtidas nos últimos anos.
“O Estado teve grandes conquistas, mas a que melhor simboliza esse cenário positivo é sermos líderes em mobilidade social. Isso significa que, hoje, o cidadão tem uma vida melhor que a de seu pai e que, no futuro, seu filho terá ainda mais oportunidades”, afirmou.
O desempenho econômico ajuda a explicar esse avanço. Em 2023, último ano com resultado consolidado do PIB estadual, Mato Grosso do Sul cresceu 13,4%, mais de quatro vezes a média brasileira de 3,2%. Já no segundo trimestre de 2026, a taxa de desemprego ficou em 2,7%, a quinta menor do País e equivalente à metade do índice nacional, de 5,4%.
O Governo do Estado informa que R$ 81 bilhões em investimentos privados foram consolidados nos últimos anos. O montante integra uma carteira mais ampla, estimada em R$ 105 bilhões, que também contempla projetos anunciados ou ainda em implantação. A diferença entre os números evita somá-los como se fossem investimentos distintos.
EDUCAÇÃO PROFISSIONAL ACOMPANHA NOVAS DEMANDAS
A atração de indústrias e a abertura de vagas aumentaram a necessidade de mão de obra preparada. Para aproximar o ensino médio das novas profissões, a Rede Estadual ampliou a oferta de educação profissional e passou a atender os 79 municípios.
Atualmente, 55% dos alunos do ensino médio estadual também frequentam cursos profissionalizantes. São aproximadamente 50 mil matrículas em uma modalidade que permite ao estudante concluir a educação básica com uma formação técnica e melhores condições para ingressar no mercado de trabalho.
O número de turmas passou de 1,1 mil, em 2025, para mais de 1,7 mil em 2026. Paralelamente, o Estado informa ter investido R$ 1,2 bilhão na modernização da estrutura escolar. Ao todo, 240 unidades foram reformadas ou construídas durante a atual gestão, número equivalente a aproximadamente 70% da rede física estadual.
A estudante Emily Teixeira representa um dos resultados desse processo. Egressa da Escola Estadual Emygdio Campos Widal, ela foi aprovada no curso de Medicina da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. A jovem atribui parte da conquista ao aprendizado, ao acolhimento e às oportunidades que encontrou na escola pública.
A aposta na educação profissional procura atender às demandas geradas pela celulose, bioenergia, mineração, construção, logística, tecnologia e agroindústria. O desafio, porém, será garantir que a formação oferecida acompanhe efetivamente as necessidades das empresas sem limitar os estudantes a uma única atividade econômica.
APOIO FINANCEIRO AJUDA ESTUDANTES A CONTINUAR OS ESTUDOS
A criação de oportunidades não termina com o ingresso em uma universidade ou curso técnico. Para estudantes de baixa renda, despesas com transporte, alimentação, livros e materiais podem representar obstáculos tão difíceis quanto o processo seletivo.
Esse foi o caso de Ariadne Mariana Rocha. Depois de conseguir uma vaga no curso de Medicina da UFMS, ela passou a enfrentar as despesas de uma graduação integral, que também exige deslocamentos para estágios e atividades práticas.
Selecionada pelo MS Supera, Ariadne começou a receber um auxílio mensal equivalente a um salário mínimo. O programa atende estudantes de baixa renda matriculados em cursos de educação profissional ou de nível superior, em instituições públicas e privadas, com o objetivo de evitar que abandonem os estudos por dificuldades financeiras.
“O programa entrou na minha vida não apenas como uma ajuda financeira, mas como um motivo a mais para continuar a faculdade. Quando o estudante está menos preocupado com os gastos, consegue estudar melhor e, depois, tornar-se um profissional melhor”, relatou Ariadne, que atualmente cursa o sétimo semestre de Medicina.
As histórias mostram como investimentos públicos e privados podem gerar mudanças concretas quando acompanhados por políticas de educação, capacitação e permanência estudantil. Ainda existem diferenças expressivas entre municípios e regiões, especialmente na fronteira e nas áreas com menor dinamismo econômico. O próximo desafio será fazer com que o crescimento alcance esses territórios e amplie, de forma equilibrada, as oportunidades para toda a população sul-mato-grossense.
PREPARATIVOS PARA OS 50 ANOS EM 2027
O Governo de Mato Grosso do Sul já instituiu um grupo especial encarregado de planejar o cinquentenário do Estado no próximo ano. A comissão deverá organizar projetos e eventos institucionais, culturais, esportivos, educativos e científicos para marcar os 50 anos de criação.
Assim, o aniversário de 49 anos funciona também como uma contagem regressiva. Mato Grosso do Sul entra no último ano antes do cinquentenário maior, mais industrializado e mais conectado ao mundo do que em qualquer outro momento de sua história.
A importância conquistada, contudo, aumenta a responsabilidade. O futuro do Estado dependerá da capacidade de conciliar produção, inclusão social, infraestrutura e preservação. O potencial já está demonstrado; o próximo passo será garantir que a riqueza gerada alcance, de forma duradoura, os moradores de todas as regiões.