A Polícia Federal pediu mais tempo para aprofundar duas investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O caso ganhou nova repercussão nesta terça-feira (20), após a empresária Roberta Luchsinger acusar publicamente a corporação de ter dado tratamento diferente ao filho do presidente durante as apurações.
Os pedidos da PF foram apresentados sob sigilo ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 2 de outubro e ainda aguardam decisão judicial. A corporação aponta a existência de diligências pendentes consideradas necessárias para esclarecer os fatos.
ROBERTA ALEGA “BLINDAGEM”
Roberta Luchsinger, que também é investigada, afirmou em entrevista à CNN Brasil que foi alvo de busca e apreensão enquanto, segundo ela, medidas semelhantes não teriam sido adotadas contra Lulinha.
A empresária questionou publicamente a atuação da Polícia Federal e alegou que o filho do presidente estaria sendo protegido. A afirmação de que houve “blindagem”, porém, é uma acusação feita por Roberta e não uma conclusão oficial das investigações.
PF QUER APROFUNDAR APURAÇÕES
Entre as diligências que a Polícia Federal pretende realizar estão verificações sobre viagens feitas por Lulinha, o financiamento desses deslocamentos, movimentações financeiras e relações mantidas com empresas e órgãos públicos.
Um dos inquéritos apura suspeitas relacionadas à possível intermediação de interesses envolvendo um negócio de cannabis medicinal no Ministério da Saúde. Outra frente investiga negociações que teriam beneficiado empresas em contratos com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.
As investigações analisam possíveis crimes de tráfico de influência e corrupção. A existência dos inquéritos não significa que as suspeitas estejam comprovadas.
DEFESA CONTESTA INVESTIGAÇÃO
A defesa de Lulinha nega irregularidades e critica a continuidade das apurações. Os advogados sustentam que não existem elementos suficientes contra o empresário e classificam as diligências como uma “pesca probatória”.
Em manifestações anteriores, a defesa também afirmou que Lulinha se colocou à disposição das autoridades e que não há motivo para tratamento diferenciado em razão de ser filho do presidente.
O presidente Lula já declarou publicamente que seu filho deve se defender das acusações e negou interferência ou blindagem nas investigações da Polícia Federal.
CASO SEGUE NO STF
As apurações envolvendo Lulinha surgiram a partir de elementos encontrados em investigações relacionadas ao chamado “Careca do INSS”, Antônio Carlos Camilo Antunes.
Parte dos casos está sob relatoria do ministro André Mendonça, no STF. A Polícia Federal aguarda autorização para prosseguir com diligências consideradas necessárias para esclarecer as suspeitas.