A prorrogação do horário de votação no segundo turno das eleições presidenciais abriu uma nova disputa após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo (25). Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que não reconhece o resultado nas circunstâncias em que ocorreu o pleito e anunciou que buscará a anulação da eleição.
O episódio teve início quando o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a votação fosse prorrogada até as 19h, pelo horário de Brasília. A decisão foi divulgada quando o horário inicialmente previsto para o encerramento já havia chegado e parte das seções havia fechado as urnas.
CAMPANHAS PEDIRAM PRORROGAÇÃO
As duas campanhas haviam recorrido à Justiça diante de dificuldades enfrentadas por eleitores.
A campanha de Lula apontou problemas relacionados ao transporte público, inicialmente com relatos na Bahia, e posteriormente pediu a extensão da votação em todo o país.
A campanha de Flávio também solicitou prorrogação, mas para localidades atingidas por problemas provocados pelas condições climáticas, como chuvas, alagamentos, interdições e falta de energia.
URNAS JÁ ESTAVAM FECHADAS
A decisão de Zanin foi divulgada pouco depois das 17h, pelo horário de Brasília, quando parte das seções já havia encerrado os procedimentos.
Diante da situação, o TSE interrompeu temporariamente a contagem e a divulgação dos votos. Mais de 335 mil votos já haviam sido totalizados naquele momento.
Posteriormente, ficou definido que a extensão seria aplicada às seções que ainda permaneciam abertas. As urnas que já haviam sido encerradas não seriam reabertas, e os votos registrados nelas permaneceriam válidos.
Com isso, algumas seções continuaram recebendo eleitores até as 19h, enquanto outras já haviam encerrado a votação.
LULA É REELEITO COM 51,79%
Após a retomada e conclusão da apuração, Lula terminou o segundo turno com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos.
Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%.
A diferença foi de 4.430.191 votos a favor de Lula.
No total, foram contabilizados 124.082.273 votos válidos. A abstenção ficou em 19,22%.
FLÁVIO ANUNCIA PEDIDO DE ANULAÇÃO
Depois da confirmação do resultado, Flávio afirmou que não reconheceria a vitória de Lula nas condições em que ocorreu o segundo turno e anunciou que sua equipe jurídica buscará a anulação.
“É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Vamos usar nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições”, declarou.
O argumento apresentado por Flávio é de que a alteração no horário durante a própria votação teria criado condições diferentes entre os eleitores, já que algumas seções puderam continuar funcionando enquanto aquelas cujas urnas já estavam encerradas permaneceram fechadas.
Flávio também criticou a decisão ter sido tomada por Zanin, que antes de integrar o STF atuou como advogado de Lula.
A contestação ocorre apesar de a própria campanha de Flávio ter solicitado ao TSE a extensão da votação em localidades afetadas pelas condições climáticas. O pedido apresentado pelo PL, entretanto, não previa inicialmente uma prorrogação nacional.
RESULTADO CONTINUA VÁLIDO
O anúncio de Flávio de buscar a anulação não invalida automaticamente o resultado das urnas. Uma eventual contestação terá de ser apresentada formalmente e analisada pela Justiça.
Até que exista decisão judicial em sentido contrário, permanece válido o resultado que deu a Lula 51,79% dos votos válidos contra 48,21% de Flávio Bolsonaro.