O senador Flávio Bolsonaro (PL) se recusou a revelar como organizou sua saída do Brasil e a chegada aos Estados Unidos, onde está desde o dia 28 de outubro. Em entrevista ao jornal The New York Times, divulgada nesta quinta-feira (5), o parlamentar afirmou que não recebeu ajuda de governos e declarou que levará os detalhes da viagem para o túmulo.
“Foi tudo obra minha. Não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo”, afirmou Flávio ao jornal norte-americano.
Questionado sobre como conseguiu chegar aos Estados Unidos, o senador evitou apresentar detalhes.
“Como cheguei até aqui, levarei isso para o túmulo comigo”, declarou.
ALIADO DE TRUMP APRESENTOU OUTRA VERSÃO
Apesar de afirmar que organizou a viagem sozinho, Flávio teve sua versão confrontada por uma declaração atribuída a Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca e aliado do presidente Donald Trump.
Na semana passada, Miller confirmou ao Metrópoles que providenciou o jatinho particular utilizado pelo senador e seus familiares para deixar o Brasil.
Durante a entrevista ao New York Times, Flávio afirmou que a decisão de viajar foi espontânea e negou participação direta de outras pessoas na organização.
“Pode ter havido torcida, mas nada além disso”, declarou.
FAMÍLIA PASSOU PELA ARGENTINA E PELO EQUADOR
Flávio Bolsonaro, a esposa, Fernanda Bolsonaro, e as duas filhas chegaram aos Estados Unidos na manhã de quarta-feira (28 de outubro).
Conforme as informações divulgadas, o senador atravessou a fronteira entre Brasil e Argentina pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na região de Misiones.
A Direção Nacional de Migrações argentina informou que Flávio entrou no país às 22h50 de terça-feira (27) e deixou o território argentino aproximadamente 40 minutos depois.
O órgão afirmou que os quatro integrantes da família apresentaram documentos de viagem válidos e não possuíam impedimentos legais para entrar na Argentina.
Na sequência, a família embarcou em um avião particular da empresa Baires Fly, fez escala em Guayaquil, no Equador, e seguiu para Miami, nos Estados Unidos.
O pouso ocorreu no aeroporto executivo de Miami-Opa Locka.
ENTRADA NOS EUA E INVESTIGAÇÃO DA PF
Segundo a reportagem, Flávio e seus familiares entraram nos Estados Unidos por meio do chamado parole, mecanismo migratório que permite a entrada e a permanência temporária de estrangeiros em situações específicas.
A viagem ocorreu após a Polícia Federal solicitar a entrega dos passaportes do senador.
A saída do Brasil passou a ser investigada pelas autoridades brasileiras.
Até as informações divulgadas nesta quinta-feira (5), Flávio não havia esclarecido publicamente todos os detalhes da organização da viagem nem apresentado uma explicação para a declaração de Jason Miller sobre o avião particular.