Política INVESTIGAÇÃO FEDERAL
Bolsonaro nega ter pedido sanções ao governo dos EUA e afirma que Eduardo age por conta própria
Ex-presidente prestou depoimento à PF nesta quinta e confirmou envio de R$ 2 milhões ao filho, mas nega envolvimento em suposto lobby internacional contra Moraes
05/06/2025 19h46
Por: Redação 24h News MS
Jair Bolsonaro é investigado por possível envolvimento em ações de pressão internacional contra autoridades brasileiras (Foto: Antonio Augusto / STF)

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) negou à Polícia Federal nesta quinta-feira, (5), ter feito qualquer contato com autoridades dos Estados Unidos para solicitar sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente Alexandre de Moraes.

O depoimento faz parte do inquérito que apura a possível articulação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para incitar o governo norte-americano a adotar medidas contra o ministro, apontado como um dos principais alvos da chamada trama golpista de 2022 e também relator do inquérito das fake news.

 

"Não tenho relação com ações de Eduardo", disse Bolsonaro

Durante o depoimento, Bolsonaro afirmou que as iniciativas de seu filho nos Estados Unidos são independentes e não orientadas por ele.

“As ações realizadas por Eduardo Bolsonaro são independentes e realizadas por conta própria. Não auxilio nem determino a ele qualquer tipo de ação no exterior”, declarou Bolsonaro à PF.

O ex-presidente também minimizou a possibilidade de retaliações internacionais:

“Os Estados Unidos não aplicariam sanções por lobby de terceiros”, pontuou no depoimento.

 

Pix bancou viagem do filho

Bolsonaro também confirmou à PF que enviou R$ 2 milhões ao filho, valor repassado de sua própria conta bancária. Segundo ele, os recursos têm origem em doações via Pix feitas por apoiadores em 2023, que somaram R$ 17 milhões.

O valor foi utilizado para custear as despesas de Eduardo Bolsonaro durante o período em que está nos Estados Unidos. Em março, o deputado tirou licença de 122 dias do mandato para viver fora do Brasil.

 

Defesa vê perseguição

Após a abertura do inquérito, Eduardo Bolsonaro classificou a investigação como “injusta e desesperada”, afirmando que o Judiciário atua com parcialidade.

“Vivemos um regime de exceção, onde tudo depende de quem seja o cliente do Judiciário”, criticou o parlamentar.

 

Próximos passos

O caso segue sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes no STF, que determinou a oitiva do ex-presidente diante de possíveis benefícios indiretos de articulações internacionais atribuídas ao filho.