Na madrugada desta quarta-feira (6), deputados e senadores da oposição — em sua maioria do Partido Liberal (PL) — pernoitaram nos plenários da Câmara e do Senado para manter a ocupação das mesas diretoras e inviabilizar o andamento das sessões legislativas.
A ação começou ainda na noite de terça-feira (5) e é um protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, decretada na segunda-feira (4) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A oposição cobra que sejam colocados em votação dois pontos principais:
Anistia geral e irrestrita aos condenados por tentativa de golpe de Estado no julgamento da chamada “trama golpista”;
Impeachment de Alexandre de Moraes, relator da ação contra Bolsonaro.
O horário do revezamento dos parlamentares foi mantido durante toda a madrugada, com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participando diretamente da ocupação no Senado. Segundo ele, o movimento busca pressionar para que “o que é melhor para o Brasil” seja pautado.
Para partidos da base governista, a ação representa uma afronta ao Estado Democrático de Direito e é comparável ao 8 de janeiro de 2023, quando houve invasão das sedes dos Três Poderes.
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), criticou duramente a paralisação, dizendo que o ato impede a votação de projetos de interesse popular, como a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até dois salários mínimos, aprovada na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e aguardando votação em plenário.
Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), convocaram reuniões de líderes para esta quarta-feira a fim de decidir como lidar com a ocupação e tentar retomar os trabalhos legislativos.