Crimes CONDENAÇÃO
Réus por enterrar 38 quilos de maconha na UFMS são condenados a 28 anos de prisão em Três Lagoas
Presos do regime semiaberto prestavam serviço de limpeza e foram flagrados pela Polícia Federal escondendo drogas em área de mata dentro do campus da universidade
28/10/2025 10h07
Por: Redação 24h News MS
Polícia Federal encontrou quase 40 quilos de maconha enterrados em área de mata dentro do campus da UFMS, em Três Lagoas (Foto - Reprodução)

Dois homens foram condenados pela Justiça Federal em Três Lagoas por tráfico e associação para o tráfico de drogas, após serem flagrados com 38,9 quilos de maconha enterrados em uma área de mata do campus II da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).

A juíza federal substituta Thaís Fiel Neumann fixou pena de 13 anos, 3 meses e 7 dias de prisão para um dos réus e 15 anos, 5 meses e 23 dias para o outro, ambas em regime inicial fechado.

A decisão também determinou o pagamento de multas que, somadas, ultrapassam 3,8 mil dias-multa, além da perda das motocicletas e dos celulares usados no crime. Na soma, são 28 anos e 9 meses de detenção.

A sentença concluiu que os dois atuavam em conjunto na guarda, transporte e venda de drogas, inclusive dentro do ambiente universitário e na Colônia Penal Industrial Paracelso de Lima Vieira Jesus, onde cumpriam pena no regime semiaberto.

Os dois tinham autorização para trabalhar fora do presídio, em atividades de limpeza e manutenção em espaços públicos conveniados, entre eles o campus da UFMS.

Segundo a Polícia Federal, um dos homens foi flagrado ao entrar em uma mata dentro do campus e manipular um pacote no chão. Pouco depois, o segundo chegou ao local em uma motocicleta e passou a agir de forma suspeita, manuseando o celular e observando o entorno. Ao notar a aproximação dos agentes, tentou se afastar, mas foi abordado. No local, os policiais encontraram sacos plásticos enterrados com 38,9 quilos de maconha, confirmados por perícia.

Durante a investigação, a PF analisou os celulares apreendidos e encontrou mensagens e áudios que demonstravam tratativas para retirar e distribuir o entorpecente. Em conversas, os suspeitos utilizavam codinomes e realizavam transferências bancárias entre si, por meio de contas de terceiros, o que reforçou a suspeita de divisão de tarefas e atuação conjunta.

As teses defensivas apresentadas, no entanto, não convenceram o juízo. Na sentença, a magistrada destacou que as provas, especialmente os laudos periciais, mensagens extraídas dos celulares e depoimentos dos policiais, formam um conjunto “coeso e inequívoco” sobre a atuação dos réus.

“O ato de enterrar drogas não se confunde com a simples posse ou depósito, mas traduz expediente ardiloso para reduzir riscos de apreensão e garantir a continuidade da atividade criminosa”, afirmou a juíza na decisão.

A magistrada também considerou a quantidade e a forma de ocultação da maconha como agravantes, que demonstram planejamento e sofisticação da empreitada criminosa. Para ela, o fato de o crime ter sido cometido nas dependências de uma instituição pública de ensino evidencia uma maior reprovabilidade da conduta e justifica o aumento da pena.

Outro fator decisivo foi a reincidência: ambos os réus já haviam sido condenados anteriormente por tráfico, um em Araçatuba (SP) e o outro em Três Lagoas (MS). A juíza ressaltou que, mesmo cumprindo pena no regime semiaberto, voltaram a delinquir.

“Fica evidente que fazem do tráfico seu meio de vida, demonstrando desprezo pelas decisões judiciais e ausência de propósito de ressocialização”, destacou.

A sentença, datada de setembro deste ano, negou qualquer possibilidade de substituição da pena por medidas alternativas, como prestação de serviços ou regime aberto.

Conforme as informações publicadas pelo site Campo Grande News.