Mato Grosso do Sul ECONOMIA VERDE
Painel Summit: Riedel e Tarcísio discutem economia verde e desenvolvimento sustentável em SP
Governadores debatem transição energética, sustentabilidade e expansão industrial durante o evento “Summit Agenda SP+Verde”
04/11/2025 18h34
Por: Redação 24h News MS

O governador Eduardo Riedel e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, participaram nesta terça-feira (4) do painel “Nova Visão da Economia Verde”, durante o evento “Summit Agenda SP+Verde”, realizado no Parque Villa-Lobos, em São Paulo (SP). O encontro reuniu cerca de 10 mil pessoas em dois dias de debates sobre finanças verdes, resiliência urbana, justiça climática e transição energética.

O evento, promovido pelo Governo e Prefeitura de São Paulo em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), é considerado um dos principais fóruns nacionais de desenvolvimento sustentável e integração entre ciência, economia e meio ambiente.

Durante o painel, mediado pelo ex-ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Joaquim Leite, os governadores debateram temas como a universalização do saneamento básico, a produção agropecuária sustentável, a geração de biometano e etanol, a redução de emissões de carbono, a recuperação de áreas degradadas e o fortalecimento da logística ferroviária, hidroviária e rodoviária.

Riedel destacou que as ações de Mato Grosso do Sul seguem alinhadas à ciência e à eficiência produtiva. “Desenvolvimento sustentável ocorre sob a lógica da valorização do ativo ambiental e econômico. Eficiência produtiva também é ambiental, com balanço de carbono e tecnologia. É preciso haver proximidade com a ciência — não há como avançar sem conhecimento”, afirmou.

Sustentabilidade e investimentos em expansão

O governador de Mato Grosso do Sul ressaltou a importância da industrialização responsável e da bioeconomia como pilares para o crescimento equilibrado. “Era necessário implantar essa lógica no setor de proteína animal e bioenergia, que estão em plena expansão. São segmentos que ajudarão o Estado a se tornar carbono neutro até 2030, valorizando a biodiversidade e a eficiência produtiva”, disse Riedel.

Tarcísio de Freitas destacou a relevância das parcerias interestaduais e os avanços de São Paulo na infraestrutura logística. “Estamos estruturando o escoamento para o porto de Santos, que recebe melhorias para ampliar a capacidade de carga. O Brasil tem potencial agroambiental imenso, com sustentabilidade e produtividade. Temos muito a oferecer na área de biocombustíveis e gestão de resíduos”, afirmou.

Desenvolvimento regional e bioeconomia

Com metas de crescimento sustentável, Mato Grosso do Sul tem priorizado a qualidade de vida e o equilíbrio fiscal. Riedel citou a universalização do saneamento básico, prevista até 2028, e o impacto positivo da expansão florestal no Vale da Celulose — região que abrange 12 municípios e cerca de 1,5 milhão de hectares de eucalipto, equivalentes a 87% da produção estadual.

O setor florestal vive um ciclo de investimentos privados superiores a R$ 89 bilhões entre 2023 e 2025, com foco na produção de papel, celulose e MDF. Entre os principais empreendimentos estão a fábrica da Suzano em Ribas do Rio Pardo (R$ 23 bilhões), a nova planta da Eldorado Brasil em Três Lagoas (R$ 25 bilhões), o “Projeto Sucuriú” da Arauco em Inocência (R$ 25,1 bilhões), a instalação da Bracell em Bataguassu (R$ 16 bilhões) e a ampliação da Greenplac em Água Clara (R$ 120 milhões).

Bioenergia e redução de carbono

O Estado se consolida como um dos maiores produtores de energia limpa e renovável do país, com 22 usinas em operação e uma em construção. Mato Grosso do Sul é o segundo maior produtor nacional de etanol de milho e o quarto em etanol e cana-de-açúcar.

Na safra 2024/2025, o Estado produziu 4,3 bilhões de litros de etanol — sendo 37% a partir do milho — e prevê alcançar 4,7 bilhões de litros na próxima safra. O setor também contribui com 2,6 milhões de toneladas de açúcar e 2.200 GWh de bioeletricidade, o equivalente ao consumo residencial anual de todo o Estado.

Entre 2020 e 2024, o programa RenovaBio evitou a emissão de mais de 13 milhões de toneladas de CO₂, o equivalente a 89 milhões de árvores plantadas. “Soubemos como aplicar a tecnologia para garantir um balanço de carbono adequado, alcançando índices negativos em várias cadeias produtivas. É orgulho fazer parte desse processo de evolução histórica”, afirmou Riedel.

Hidrovia e logística sustentável

O governador também mencionou o projeto de concessão do trecho sul da Hidrovia do Rio Paraguai, entre Corumbá e Porto Murtinho — o primeiro do tipo no Brasil. A iniciativa, conduzida pelo Ministério de Portos e Aeroportos e em análise pelo TCU, prevê leilão até o fim de 2025 e visa ampliar a capacidade logística e a modernização do transporte fluvial no eixo sul do rio.