
Oito policiais civis foram afastados compulsoriamente das funções após serem presos na Operação Infiltrados, que investiga um suposto esquema de desvio de drogas apreendidas em Mato Grosso do Sul. Entre eles está o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa.
As portarias de afastamento foram publicadas na sexta-feira (25/09) e permanecem válidas enquanto durar a prisão preventiva dos agentes.
Além do afastamento, foram determinados o recolhimento das armas, carteiras funcionais e outros bens públicos, além da suspensão de senhas e acessos aos sistemas da Polícia Civil, como SIGO e Infoseg.
Foram afastados os investigadores Luiz Carlos de Souza, lotado na Denar; Douglas Tobias, do GOI; Neverson Vieira de Araújo, da DHPP; Nelson Ricardo Barros de Oliveira, da Defurv; Nilton César Sales dos Santos, da Derf; Roberto Palmeira da Silva, da Depac de Campo Grande; e Marcos André Santos Chaves, da 1ª Deam de Campo Grande.
Também foi afastado o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, lotado na 6ª Delegacia de Polícia Civil e que já atuou na Denar e no Garras.
Segundo o g1, o advogado Amilton Ferreira, responsável pela defesa do delegado, informou que ainda não havia tido acesso aos autos. As demais defesas procuradas também disseram não ter acesso ao processo e, por isso, não se manifestaram.
Suspeita de desvio de cocaína
A investigação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), apura a suspeita de que policiais tenham utilizado a função pública e o acesso às estruturas de segurança para retirar drogas apreendidas e repassá-las a integrantes de uma organização criminosa.
Conforme o MPMS, os investigadores identificaram duas supostas formas de atuação: omitir parte dos entorpecentes dos registros oficiais das apreensões ou retirar as drogas diretamente dos depósitos das delegacias.
A suspeita é de que os entorpecentes, principalmente cocaína, fossem posteriormente recolocados no mercado ilegal.
A investigação começou em outubro de 2025 a partir de elementos obtidos durante as operações Traquetos e Blindspot, também conduzidas pelo Gaeco.
Os resultados da investigação envolvendo os policiais deverão ser encaminhados para apuração disciplinar pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil.
Ex-policial também é alvo
O ex-policial Augusto Torres Galvão Florindo também está entre os alvos da Operação Infiltrados.
Ele foi demitido da Polícia Civil em setembro de 2026 após processo administrativo disciplinar relacionado a uma investigação sobre desvio e venda de cigarros eletrônicos apreendidos.
Augusto havia sido preso em novembro de 2025, em Três Lagoas. Na ocasião, foram apreendidos R$ 153,5 mil.
Em agosto de 2026, ele foi absolvido pela Justiça Federal das acusações de corrupção passiva e corrupção ativa por falta de provas suficientes para demonstrar relação entre o dinheiro e a função pública exercida por ele.
A absolvição ocorreu na esfera criminal. Posteriormente, houve a demissão na esfera administrativa. Agora, ele voltou a ser investigado no inquérito que apura o suposto desvio de drogas apreendidas.
Operação Infiltrados
A operação foi deflagrada na quinta-feira (24/09) para cumprir 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.
A ação é realizada pelo Gaeco com apoio das corregedorias das polícias Civil e Militar, Batalhão de Choque, Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e Polícia Institucional do Ministério Público Federal.
Além dos oito policiais civis afastados, outros agentes de segurança são investigados.
O que diz a Sejusp
Em nota, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou que a operação busca cumprir mandados contra investigados por tráfico de drogas e outros crimes.
A pasta afirmou que servidores das forças de segurança envolvidos na investigação já eram acompanhados pelas respectivas corregedorias.
“A Sejusp e as forças de segurança de Mato Grosso do Sul não compactuam com qualquer desvio de conduta ou prática ilícita por parte de seus integrantes. Eventuais desvios serão apurados com rigor, observando a legislação vigente, o devido processo legal e as garantias individuais dos investigados”, informou a secretaria.