
O deputado estadual e candidato à reeleição Marcio Fernandes (PL) se manifestou após ser alvo da Operação Jogo Limpo, da Polícia Federal, que investiga possíveis crimes eleitorais em Mato Grosso do Sul. A PF informou que mais de R$ 250 mil em dinheiro foram apreendidos durante as diligências, enquanto o candidato afirma que estava com R$ 100 mil.
A operação foi realizada na sexta-feira (25/09), em Campo Grande. Segundo a Polícia Federal, o deputado foi abordado depois de sacar dinheiro em uma agência bancária. Mandados de busca e apreensão também foram cumpridos na residência e no comitê de campanha do candidato.
A corporação informou que, durante as diligências, foram encontrados outros valores e que o montante apreendido ultrapassa R$ 250 mil. O dinheiro ainda seria contabilizado, e a origem e eventual destinação dos recursos serão apuradas.
Marcio Fernandes apresentou uma versão diferente. Em publicação nas redes sociais, afirmou que havia sacado R$ 100 mil de sua conta pessoal e que nenhum outro valor foi encontrado em sua residência ou no comitê.
Segundo o deputado, o dinheiro tem origem em uma venda de gado realizada na segunda-feira (21/09) em uma de suas propriedades.
Fernandes apresentou documentos e imagens relacionados à negociação, incluindo nota fiscal, registros de embarque e romaneio. Conforme os documentos apresentados pelo próprio candidato, a venda foi de R$ 116 mil.
Ele afirmou ainda que utiliza dinheiro em espécie para despesas nas propriedades rurais porque alguns prestadores de serviços não utilizam Pix ou conta bancária.
Investigação eleitoral
Segundo a Polícia Federal, dois mandados de busca e apreensão foram cumpridos no âmbito da Operação Jogo Limpo.
Além do dinheiro, a PF informou a apreensão de três celulares, um pendrive e materiais de campanha.
O inquérito apura movimentações financeiras que, segundo a corporação, podem estar relacionadas a financiamento irregular de campanha e aliciamento de eleitores. A investigação ainda está em andamento.
O deputado não foi preso. De acordo com a PF, ele não era alvo de mandado de prisão.
Conforme o g1, na declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral no registro da candidatura, Marcio Fernandes não informou possuir dinheiro em espécie.
O que diz Marcio Fernandes
Em nota, a assessoria do candidato afirmou que o saque de R$ 100 mil havia sido previamente provisionado junto ao Banco do Brasil e que o valor seria utilizado em despesas das propriedades rurais.
A defesa também afirmou que foram recolhidos um celular, um pendrive com arquivos da campanha de 2020, dois HDs externos, dois notebooks e materiais gráficos.
Segundo a assessoria, nada de irregular foi encontrado nos locais e o deputado está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
A investigação da Polícia Federal deverá apurar a origem e a eventual destinação dos valores apreendidos.