
Empresas de Mato Grosso do Sul contrataram R$ 9,7 bilhões em financiamentos vinculados à Nova Indústria Brasil desde a criação do programa, em 2024, até o primeiro trimestre de 2026. Os recursos foram destinados a aproximadamente 4 mil projetos de modernização, inovação e expansão da produção industrial.
O valor corresponde a 15,2% dos R$ 64 bilhões disponibilizados pelo Plano Mais Produção aos estados do Centro-Oeste. O plano é o principal mecanismo de financiamento da política industrial coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Somente nos três primeiros meses de 2026, as indústrias sul-mato-grossenses contrataram R$ 750 milhões pelo programa.
Em todo o país, o sistema do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registra R$ 356,8 bilhões aprovados para 241 mil projetos. A meta do governo federal é mobilizar R$ 751,3 bilhões em crédito e financiamento até o final de 2026.
A agroindústria concentra a maior parcela dos recursos destinados ao Estado. Foram contratados R$ 4,9 bilhões para 2.947 projetos relacionados à produção de alimentos, cadeias agropecuárias e atividades industriais ligadas ao campo.
A área de infraestrutura recebeu R$ 1,9 bilhão, distribuído entre 679 projetos. O mesmo valor foi destinado à descarbonização e à bioeconomia, mas dividido entre apenas 52 empreendimentos. A diferença indica que essa última categoria reúne operações de maior porte.
Projetos de transformação digital somaram R$ 596 milhões em 580 contratos. O complexo industrial da saúde recebeu R$ 309,5 milhões para 22 iniciativas.
Os números mostram que o agronegócio permanece como principal base da indústria estadual, embora os financiamentos também alcancem setores como saúde, tecnologia, combustíveis renováveis e produção de baixo carbono.
Na avaliação da economista e coordenadora da Fiems Conecta, Renata Farias, a política industrial ampliou os segmentos atendidos pelos instrumentos públicos de financiamento.
"Não se trata apenas de incentivar tecnologias limpas e reduzir emissões pensando no meio ambiente, mas também de promover o bem-estar da população", afirmou.
Entre os exemplos está o projeto de instalação da farmacêutica boliviana Laboratórios IFA S.A. em Terenos. O empreendimento prevê R$ 45 milhões em investimentos até 2030 e a criação de 120 empregos diretos durante a operação, além de contar com incentivos fiscais estaduais.
Para a economista, a diversificação dos projetos não representa uma substituição do perfil econômico de Mato Grosso do Sul, ainda fortemente ligado ao agronegócio, mas uma ampliação das possibilidades de desenvolvimento industrial.
Os financiamentos são operacionalizados por instituições como BNDES, Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.
Segundo a Fiems Conecta, algumas operações utilizam taxas subsidiadas, compostas pela Taxa Referencial e pela remuneração do BNDES. O custo final pode ficar entre 7% e 8% ao ano, dependendo da modalidade, do risco da operação e das condições negociadas.
A contratação e a aprovação dos recursos passam pela análise de cada instituição financeira. As taxas, os prazos e as garantias exigidas variam conforme o projeto e o perfil da empresa.
O Panorama Econômico da Fiems estima crescimento nominal médio de 8,7% ao ano para a indústria estadual até 2029. Nesse cenário, o valor adicionado pelo setor poderá alcançar R$ 63,9 bilhões.
A projeção para o Produto Interno Bruto de Mato Grosso do Sul também aponta crescimento nominal médio de 8,7% ao ano, com possibilidade de chegar a R$ 279,8 bilhões em 2029.
Entre 2023 e 2030, os investimentos industriais anunciados no Estado somam aproximadamente R$ 115 bilhões. A estimativa é de que os projetos possam gerar pelo menos 18 mil empregos diretos na fase de operação.
Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados mostram que Mato Grosso do Sul terminou 2025 com saldo positivo de 19.756 vagas formais. A construção civil, impulsionada pelas obras de novos complexos industriais, esteve entre os setores com maior participação nesse resultado.
A ampliação da infraestrutura logística, incluindo a implantação da Rota Bioceânica, também é apontada como um fator capaz de atrair investimentos. O corredor deverá facilitar o acesso aos portos do Pacífico e fortalecer as conexões comerciais do Estado com outros mercados da América do Sul e da Ásia.