
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio a uma grave crise política e financeira provocada pela intervenção no Ueno Bank, um dos principais bancos digitais do país. A decisão ocorreu durante o avanço de um processo de impeachment no Congresso paraguaio.
Peña, de 47 anos, divulgou a decisão por meio de um comunicado nas redes sociais. O presidente afirmou que a saída foi motivada pela necessidade de preservar a estabilidade política e as instituições democráticas do Paraguai.
“Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à presidência da República. O que faço é pensar na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”, declarou.
CONGRESSO AVANÇA COM IMPEACHMENT
A renúncia foi anunciada enquanto a Câmara dos Deputados do Paraguai discutia um pedido de impeachment apresentado por um grupo de 35 parlamentares.
O pedido surgiu após a crise envolvendo o Ueno Bank, instituição financeira que passou por intervenção do Banco Central do Paraguai.
Conforme informações divulgadas pela imprensa internacional, a Câmara dos Deputados aprovou o avanço do processo de impeachment e rejeitou a renúncia do presidente. A decisão final sobre o julgamento político caberá ao Senado.
O episódio provocou uma crise institucional e colocou em discussão a sucessão presidencial.
CRISE NO UENO BANK
O Banco Central do Paraguai anunciou, na terça-feira (3), o início de um procedimento de resolução do Ueno Bank, após identificar graves problemas financeiros na instituição.
Segundo a autoridade monetária, o índice de solvência do banco caiu para menos da metade do mínimo exigido pela legislação.
A medida suspendeu operações da instituição e iniciou procedimentos para proteger os depositantes e preservar a estabilidade do sistema financeiro.
O banco atendia milhões de clientes, que foram atingidos pelas restrições de acesso aos recursos depositados.
LIGAÇÃO DE PEÑA COM O BANCO
A crise financeira também atingiu diretamente o governo paraguaio.
Santiago Peña, economista de formação, foi acionista da Ueno Holding até março de 2025, empresa relacionada ao grupo controlador do banco.
O caso levantou questionamentos políticos sobre a relação entre a instituição financeira e o governo, especialmente diante de recursos públicos mantidos no banco.
As autoridades paraguaias também iniciaram investigações sobre suspeitas de irregularidades na administração da instituição e na concessão de empréstimos a empresas relacionadas ao grupo controlador.
As suspeitas ainda dependem da apuração das autoridades competentes.
VICE-PRESIDENTE É O SUCESSOR CONSTITUCIONAL
Santiago Peña foi eleito presidente do Paraguai em abril de 2023 e assumiu o cargo em agosto daquele ano.
Integrante do Partido Colorado, de direita, ele sucedeu Mario Abdo Benítez e tinha mandato previsto até agosto de 2028.
Pela Constituição paraguaia, o vice-presidente Pedro Alliana é o sucessor em caso de vacância da Presidência.
O desfecho institucional dependerá das decisões do Congresso sobre a renúncia e o processo de impeachment.