
Mais de 488 mil aposentados e pensionistas já procuraram presencialmente agências dos Correios em todo o país para contestar descontos indevidos em seus benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). O serviço está disponível desde o último dia 30 de maio, como alternativa para quem tem dificuldade de utilizar o aplicativo Meu INSS ou a Central 135.
A ação faz parte do esforço do Governo Federal para apurar descontos não autorizados por parte de associações e sindicatos. Segundo o presidente do INSS, Gilberto Waller, o atendimento presencial nos Correios representa uma solução humanizada e acessível.
“Em apenas duas semanas, já foram feitos mais de 10% do total de requerimentos via Correios. É um atendimento olho no olho, que transmite segurança ao segurado”, afirmou.
Até o momento, o total de contestações ultrapassa 3,1 milhões, somando todos os canais disponíveis. Desse volume, 512 mil foram respondidas por entidades, que apresentaram documentos alegando que os descontos foram autorizados.
Segundo o INSS, se confirmada a irregularidade de todas as contestações registradas, o prejuízo potencial chega a R$ 2,12 bilhões, já corrigido. Inicialmente, havia estimativas de que a fraude poderia alcançar até R$ 9 bilhões.
As investigações apontam que muitas das entidades envolvidas são fantasmas, criadas entre 2020 e 2021, e que operaram com valores abaixo da média de mercado, justamente para não levantar suspeitas dos beneficiários.
A partir da próxima segunda-feira (16), os aposentados que já contestaram os descontos há mais de 15 dias úteis poderão retornar aos Correios para consultar a resposta das associações sobre os valores descontados.
O atendimento é gratuito, e o segurado só precisa apresentar um documento com foto. Quem não puder comparecer pode nomear um representante legal com procuração autenticada.
De acordo com os Correios, mais de 5 mil agências em todo o país estão habilitadas para esse atendimento. Em São Paulo, são 634 unidades.
A fraude foi descoberta em abril deste ano, durante a Operação Sem Desconto, da Polícia Federal. O esquema envolvia descontos indevidos aplicados entre 2019 e 2024, e as cifras iniciais indicam que R$ 6,3 bilhões foram subtraídos dos beneficiários de forma irregular.
“A ideia é que o dinheiro seja devolvido com recursos bloqueados dos fraudadores. Já conseguimos o bloqueio de R$ 2,8 bilhões para garantir o ressarcimento”, destacou Waller.
Os Correios e o INSS alertam que nenhum funcionário está autorizado a ir até a casa dos beneficiários para oferecer esse tipo de atendimento. Os únicos canais válidos são:
Aplicativo Meu INSS
Site do INSS
Central 135
Atendimento presencial nas agências dos Correios