
A operação policial realizada na semana passada nos Complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, que deixou mais de 100 mortos, gerou intenso debate na sessão plenária desta terça-feira (4) na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS). O tema foi trazido à tribuna pelo deputado Pedro Kemp (PT), que defendeu que o combate ao tráfico de drogas e ao crime organizado deve ser conduzido com planejamento e inteligência, e não com violência letal.
“Precisamos ir além do discurso de ‘bandido bom é bandido morto’. O que aconteceu no Rio é um filme repetido. Resolveu o problema do crime ou das milícias? Os chefes continuam em mansões luxuosas, enquanto as vítimas são exibidas em filas de corpos. Isso não é solução”, afirmou Kemp.
O parlamentar comparou a operação no Rio de Janeiro com uma ação recente na Avenida Faria Lima, em São Paulo, onde foram desarticulados mais de R$ 40 bilhões em esquemas de lavagem de dinheiro. “Quantos tiros aconteceram lá? Nenhum. Quantas mortes? Nenhuma. E a operação do Rio resolveu o problema? Não. O que se vê é uma operação midiática que elevou a popularidade do governador”, declarou.
Kemp também criticou a reunião de governadores, entre eles Eduardo Riedel (PSDB), que cobraram apoio federal no combate ao crime organizado. Segundo ele, o encontro teve caráter político. “Esses mesmos governadores não apoiam o projeto do presidente Lula que cria o Sistema Nacional de Segurança Pública. Se querem realmente combater o crime, apoiem a integração das polícias”, disse.
O deputado Coronel David (PL), ex-comandante da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, rebateu as críticas e defendeu a ação policial no Rio de Janeiro. “A operação foi planejada por mais de um ano, acompanhada pelo Ministério Público e pela Justiça, e cumpriu mandados. Comparar com a Faria Lima é tratar Segurança Pública como conversa de esquina. O morro é um ambiente hostil, com facções armadas. A grande maioria da população apoiou a operação, e o governador do Rio teve coragem de enfrentar o crime organizado”, afirmou.
Ele também criticou o posicionamento da oposição. “A esquerda gosta é de bandido. Nenhum parlamentar do PT votou a favor da CPI contra o crime organizado. E essa ideia de integração nacional das polícias é retirar poder dos governadores — isso não será aceito”, concluiu.
O deputado Zeca do PT, ex-governador de Mato Grosso do Sul, também se manifestou, classificando o debate como “patético e inoportuno”. “É a velha história do ‘bandido bom é bandido morto’, mas só quando é negro e pobre. Quando é rico, pedem anistia. Vamos requerer informações ao Tribunal de Contas para saber quem custeou a viagem do governador Riedel a essa reunião de governadores”, criticou.
A deputada Gleice Jane (PT) reforçou a defesa de que o tema da Segurança Pública precisa de participação popular. “A operação no Rio matou pobres. Quem mora na favela é trabalhador, não criminoso. Nós da esquerda defendemos o direito à vida, garantido pela Constituição. Segurança não se faz com vingança. E a Assembleia precisa participar do debate sobre o Plano de Segurança, que foi aprovado apenas pelo Executivo, sem o aval do Legislativo”, afirmou.