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“Trump quer criar nova ONU”, diz Lula sobre proposta de Conselho de Paz

Presidente critica unilateralismo, defende reforma da ONU e alerta para riscos à soberania e ao multilateralismo

Por: Redação 24h News MS
24/01/2026 às 18h24
“Trump quer criar nova ONU”, diz Lula sobre proposta de Conselho de Paz
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a sessão de encerramento do 14.º Encontro Nacional do MST, em Salvador (Foto - Ricardo Stuckert / PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (23) que a política mundial atravessa um momento crítico, com o multilateralismo sendo substituído pelo unilateralismo. A declaração foi feita durante o encerramento do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), realizado em Salvador.

Segundo Lula, a Carta da Organização das Nações Unidas (ONU) está sendo desrespeitada, e ele criticou a proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de criação de um Conselho de Paz. Para o presidente brasileiro, a iniciativa representa a tentativa de criação de uma nova ONU sob controle de um único país.

“Está prevalecendo a lei do mais forte, a carta da ONU está sendo rasgada e, em vez de a gente corrigir a ONU, que a gente reivindica desde que fui presidente em 2003, com a entrada de novos países como membros permanentes do Conselho de Segurança, como México, Brasil e países africanos, o que está acontecendo é que o presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU, em que ele sozinho é o dono da ONU”, afirmou.

O presidente dos Estados Unidos convidou Lula para integrar o Conselho de Paz que será criado para supervisionar o trabalho de um Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG, na sigla em inglês).

Lula afirmou ainda que tem conversado com diversos líderes mundiais sobre o tema, entre eles o presidente da China, Xi Jinping, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e a presidenta do México, Claudia Sheinbaum.

“Estou conversando para fazer com que seja possível a gente encontrar uma forma de se reunir e não permitir que o multilateralismo seja jogado para o chão e que predomine a força da arma e da intolerância de qualquer país do mundo”, pontuou.

O presidente voltou a criticar a atuação dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou, segundo ele, no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da deputada e primeira-dama, Cilia Flores.

“Eu fico toda a noite indignado com o que aconteceu na Venezuela. Não consigo acreditar. Como é possível a falta de respeito à integridade territorial de um país? Isso não existe na América do Sul, que é um território de paz”, afirmou.

Citando Estados Unidos, Cuba, Rússia e China, Lula declarou que o Brasil não tem preferência por relações com um país específico, mas que não aceitará voltar a ser colônia de nenhuma nação.

O presidente também criticou a postura de Donald Trump, que, segundo ele, frequentemente se gaba do poder militar dos Estados Unidos. Lula afirmou que defende a política baseada no diálogo e no convencimento, sem imposições.

“Eu não quero fazer guerra armada com os Estados Unidos, nem com a Rússia, nem com o Uruguai, nem com a Bolívia. Quero fazer guerra com o poder do convencimento, com argumentos e narrativas, mostrando que a democracia é imbatível”, declarou. “Não queremos mais Guerra Fria, não queremos mais Gaza”, completou.

Encontro do MST

O 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra terminou com um ato que marcou os 42 anos do MST, celebrados no dia 22 de janeiro, com a presença de autoridades, parlamentares, representantes de movimentos sociais e sindicais, além de apoiadores do movimento.

O encontro, iniciado na segunda-feira (19), reuniu delegações de todo o Brasil, com mais de 3 mil trabalhadores e trabalhadoras sem terra. Durante cinco dias, foram debatidos temas como reforma agrária, produção de alimentos saudáveis, agroecologia, agricultura familiar, conjuntura política e os desafios do movimento.

Ao final do evento, uma carta do MST foi entregue ao presidente. No documento, o movimento critica tentativas de impedir o avanço do multilateralismo e denuncia ações consideradas imperialistas, citando a invasão da Venezuela e ataques à soberania dos povos.

O texto reafirma os princípios do movimento, como a luta pela reforma agrária, a crítica ao modelo do agronegócio e da exploração mineral e energética, o internacionalismo e a solidariedade com países como Venezuela, Palestina, Haiti e Cuba.

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