
O Governo do Estado de Mato Grosso do Sul deu um passo decisivo para fortalecer a logística e a infraestrutura viária do Estado com a publicação, no Diário Oficial da última quinta-feira (5), do extrato do contrato que oficializa a concessão da chamada Rota da Celulose. O corredor estratégico soma aproximadamente 870 quilômetros de rodovias estaduais e federais.
O contrato estabelece que uma concessionária privada será responsável, durante 30 anos, pela recuperação, operação, manutenção, conservação, implantação de melhorias e ampliação da capacidade das vias. O volume de investimentos diretos ultrapassa R$ 6 bilhões, além de cerca de R$ 4 bilhões destinados a custos operacionais ao longo do período de concessão.
A gestão do sistema ficará sob responsabilidade da Concessionária Caminhos da Celulose, consórcio formado por empresas do setor de infraestrutura e grandes obras, liderado por um fundo de investimentos ligado à XP. A assinatura oficial do contrato ocorre nesta quinta-feira, em Inocência, durante o evento de lançamento da pedra fundamental da Ferrovia do Projeto Sucuriú, da Arauco Brasil.
Processo longo e complexo
A concessão encerra um dos processos mais desafiadores já conduzidos pelo Estado na área de infraestrutura. Iniciado em 2023, o projeto passou por leilões sem interessados, ajustes na modelagem financeira, disputas administrativas, mudança de vencedor e decisões judiciais que, ao final, confirmaram o resultado do certame.
Com a entrada em vigor do contrato, a concessionária assume oficialmente os trechos das rodovias estaduais MS-040, MS-338 e MS-395, além das federais BR-262 e BR-267. Em conjunto, essas vias formam um corredor logístico fundamental para o escoamento da produção industrial, agropecuária e, principalmente, da celulose em Mato Grosso do Sul.
Primeiras intervenções
De acordo com o cronograma técnico apresentado pela concessionária, os primeiros 100 dias de contrato serão dedicados a ações emergenciais em cerca de 150 quilômetros de pavimento. Estão previstas intervenções imediatas de conservação, limpeza, drenagem, sinalização e melhorias na segurança viária, além da implantação de estruturas de apoio ao usuário, fiscalização e tecnologias voltadas à gestão da operação.

A Rota da Celulose é considerada estratégica para reduzir custos logísticos, elevar a competitividade das cadeias produtivas e dar suporte ao novo ciclo de investimentos no leste de Mato Grosso do Sul, impulsionado pela chegada de grandes projetos do setor florestal e industrial.