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CNC diz que bets agravaram dívidas de famílias e tiraram R$ 143 bilhões do comércio

Entidade aponta avanço da inadimplência por apostas online, enquanto setor rebate e classifica estudo como alarmista

Por: Redação 24h News MS
28/04/2026 às 16h46
CNC diz que bets agravaram dívidas de famílias e tiraram R$ 143 bilhões do comércio
CNC aponta impacto bilionário das bets no endividamento das famílias brasileiras (Foto: reprodução / Agência Brasil)

De janeiro de 2023 a março de 2026, a inadimplência do consumidor causada pelas bets retirou R$ 143 bilhões do comércio varejista. O montante equivale ao volume de vendas nos períodos de Natal de 2024 e 2025.

O crescimento do gasto dos brasileiros com plataformas eletrônicas de apostas nesse período foi superior a R$ 30 bilhões por mês. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, o chamado “entretenimento” comprometeu a disponibilidade de renda para manter o pagamento em dia das dívidas e pode ter levado 270 mil famílias à situação de inadimplência severa, caracterizada por atrasos de 90 dias ou mais.

Para a entidade empresarial, “as bets não representam apenas entretenimento, configuram-se como um risco sistêmico para a saúde financeira das famílias, drenando recursos que seriam destinados ao comércio varejista e ao consumo produtivo”.

A confederação avalia que a inadimplência decorrente dos gastos com apostas tem impacto direto sobre o consumo e nas vendas do comércio varejista.

De acordo com o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, em momentos de aperto financeiro, famílias acabam cortando gastos considerados não essenciais e até despesas importantes.

“Podem deixar de trocar de celular ou podem deixar de comprar uma peça de vestuário por causa do agravamento da dívida”, exemplificou o economista durante apresentação realizada nesta terça-feira (28/04), em Brasília.

Segundo o levantamento, os impactos das bets sobre o endividamento variam conforme o perfil demográfico. Homens, famílias de baixa renda, pessoas acima de 35 anos e pessoas com maior escolaridade aparecem entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos das apostas.

A CNC também alerta que até famílias com renda mais alta acabam desviando recursos para apostas e deixam de honrar compromissos financeiros.

O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, defendeu a criação de políticas públicas regulatórias para o setor e medidas de proteção aos consumidores.

“O impacto já deixou de ser pontual e se tornou macroeconômico. Precisamos discutir os limites desse mercado, especialmente no que diz respeito à publicidade e à proteção das famílias brasileiras”, afirmou.

Atualmente, segundo a CNC, oito em cada dez famílias brasileiras estão endividadas.

Setor rebate

O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável, que representa plataformas legalizadas de apostas no país, enviou notificação formal à CNC cobrando transparência metodológica e acesso integral às bases de dados utilizadas no estudo.

Para o instituto, as conclusões apresentadas são “alarmistas” e estariam desalinhadas com dados oficiais.

A Associação Nacional de Jogos e Loterias também contestou os números e afirmou que o estudo desconsidera fatores diversos que influenciam o endividamento das famílias brasileiras.

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